Intercâmbio sem sair de casa

Intercâmbio sem sair de casa

Jovens enxergam o hábito de hospedar estrangeiros uma experiência tão enriquecedora quanto uma viagem

Rafa Martins

Marina reuniu dois amigos franceses e um brasileiro e alugaram uma casa aberta a viajantes

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Fazer um intercâmbio nem sempre é a única opção para aqueles que têm interesse em vivenciar uma nova cultura ou até mesmo aperfeiçoar algum idioma. Pelo menos é o que afirmam os que têm o hábito de assumir o papel de anfitrião para aqueles que vêm de outros países, e enxergam a oportunidade como uma experiência tão enriquecedora quanto fazer as malas e se aventurar por aí.

Hoje o que não faltam são alternativas para quem estiver disposto a abrir as portas de casa. Além de programas como o AFS Intercultura Brasil, organização voluntária de intercâmbio não governamental e sem fins lucrativos, que está selecionando famílias para receber jovens estudantes vindos de fora até o dia 12 de junho, sites como o Couchsurfing e Warm Showers servem como uma rede de contatos tanto para aqueles que buscam, como para os que oferecem hospedagem. Tais sites foram criados com esse objetivo claro, abreviar o contato entre pessoas com interesses em comum, para que compartilhem suas experiências, sua cultura e se conheçam um pouco mais em seus trajetos. Lembrando: tudo isso sem nenhum vínculo financeiro.

O viajante Bruno Zanchetta, 25 anos, é adepto da prática “hospedagem camarada” e já abrigou mais de 50 pessoas tanto em Porto Alegre, quando em Ambato, no Equador, quando morava lá. “Em geral, as pessoas que viajam são mais abertas, compartilham mais os momentos e isso permite que as experiências que se vive junto com elas sejam muito significativas”. Com todo esse know-how, ele aponta com critério que a hospedagem só é falha quando não existe o sentimento de troca, e uma das partes enxerga a atividade como benefício individual. “Alguns acreditam que o couchsurfing é um hostel de graça onde o membro que hospeda tem obrigações com o viajante, só que não é assim. Absolutamente todo o intercâmbio que acontece é espontâneo e a pessoa que é ajudada tem que ser sempre agradecida”, explica.

A publicitária Amanda Goltz, 24, que resolveu ceder o sofá-cama da sala no início deste ano, conta que, geralmente, quem chega para se hospedar por aqui tenta demonstrar o agradecimento de alguma forma, tudo na base da educação e do reconhecimento de que é uma oportunidade de graça baseada totalmente na boa vontade do anfitrião. “Já recebi vinho logo na chegada, por exemplo, como uma forma de causar uma boa impressão”, revela a jovem que passou a se interessar pela prática após uma viagem para Berlim, onde ela foi muito bem recebida na casa de um alemão. “Achei a experiência fantástica, tanto que me inspirei”. Até agora ela já recebeu um chileno, um peruano, um argentino e um italiano, todos através do couchsurfing.

Contudo, também há quem crie a sua rede de contatos longe dos sites, como a escritora Marcella Mattar, de 23 anos, que costuma fazer amigos de diversos locais durante seus roteiros ao redor do mundo. Ela adotou o hábito de ceder o próprio quarto da casa que divide com a mãe e a irmã em Porto Alegre, e oferece toda uma estrutura confortável para seus hóspedes, incluindo máquina de lavar. “Já aconteceu de virem passar uma noite e ficarem uma semana, porque aqui se consegue o descanso necessário para continuar uma viagem”, revela a jovem que recentemente aproveitou a estadia de dois franceses para praticar o idioma que está estudando.

Além disso, ela reforça que aquelas atividades rotineiras, como sair para tomar um café ou ir num bar na Cidade Baixa, ganham outra cara quando se tem ao lado alguém que vem de fora, e essa é mais uma das vantagens em recebê-los. “Geralmente eles têm um olhar 'não viciado' sobre Porto Alegre e o comportamento dos brasileiros, o que faz com que gente dê muito mais valor aos aspectos positivos da nossa cidade”, acredita.

Todo mundo junto
A professora de francês Marina Mazzini, 27, teve uma grande ideia na época que estudava. Ela juntou dois amigos franceses e um brasileiro e alugou uma casa com diversos quartos atrás da PUC, que acabou servindo como passagem para muitos intercambistas. “Normalmente essa galera vinha para Porto Alegre 'sem querer', então recebíamos bastante estudantes que acabavam caindo de paraquedas por aqui, já que sempre teve bastante vaga para estudante e pouca procura".

Hoje ela é casada e tem um filho com um dos franceses que hospedou, e o casal segue de portas abertas pra receber novos hóspedes. “Temos um quarto com um sofá-cama só para isso. Queremos que o nosso filho cresça com essa noção de troca de experiências, que é maravilhosa”, conclui Marina, que já está arrumando o quarto extra de casa para receber uma francesa em julho.

Quer entrar nessa?
Para receber estrangeiros através do programa AFS INTERCULTURA BRASIL não é necessário ter um quarto disponível, muitas vezes o estudante divide o quarto com os donos da casa. O programa busca famílias flexíveis e interessadas em compartilhar sua vida com um estudante de outro país, independente de sua formação. Mais informações e inscrições podem ser obtidas aqui.



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