"Interpretar Frida é algo fascinante", afirma Leona Cavalli
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"Interpretar Frida é algo fascinante", afirma Leona Cavalli

Espetáculo "Frida y Diego" entra em cartaz neste sábado e domingo no TSP pelo 22º Porto Alegre em Cena

Por
Luiz Gonzaga Lopes

Leona Cavalli é Frida Kahlo; José Rubens Chachá é Diego Rivera

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Os artistas mexicanos Frida Kahlo e Diego Rivera viveram um caso de amor mútuo e pela arte. Maria Adelaide Amaral aceitou o desafio de escrever de forma realista o texto “Frida y Diego”, a convite do diretor Eduardo Figueiredo e do produtor do espetáculo, Maurício Machado. Após dez anos sem escrever um texto exclusivo para teatro, Adelaide convidou a atriz gaúcha de Rosário do Sul, Leona Cavalli, 45 anos, para personificar esta personagem forte das artes plásticas e do ativismo político e pelos direitos humanos na primeira metade do século XX. Ela tem a companhia do ator paulista José Rubens Chachá como Diego Rivera.

O espetáculo terá apresentações no Theatro São Pedro (Praça da Matriz, s/nº), neste sábado, às 21h, e no domingo, às 18h, pela programação de espetáculos nacionais do 22º Porto Alegre em Cena. O espetáculo trata do reencontro dos dois artistas, após ela ter sido libertada da prisão nos anos 1940 e após a traumática separação deles. O reencontro tem tom de reconciliação e tem a ver com uma fase difícil da vida de Frida, pois ela já está com dores do acidente que sofreu e bastante doente. Não há mais ingressos para este espetáculo.

Nesta entrevista concedida ao Correio do Povo, Leona Cavalli, que atuou em filmes como "Carandiru" e "Olga" e em novelas e séries da Rede Globo, fala do fascínio por interpretar uma personagem única, com tanta força, sobre o espetáculo, sobre a equipe de trabalho e também sobre voltar a se apresentar no Porto Alegre em Cena e pela primeira vez pisar no palco do Theatro São Pedro. A atriz também terá espaço na edição deste final de semana no Caderno de Sábado.

CP - Como é o desafio de vivenciar o papel de Frida Kahlo?
Leona Cavalli - Interpretar Frida Kahlo é algo fascinante, pois além de ter sido uma grande pintora, desenvolveu um estilo único, deixou um legado muito grande como pensadora, ativista pela paz, pelas mulheres, pelos direitos humanos. Ela foi uma artista múltipla, pois lidou com fotografia. Visitei a Casa Azul, no México. Aqueles jardins têm esculturas maravilhosas dela. Foi um grande prazer para mim, pois foi uma artista muito conhecida e amada pela força dos seus atos.

CP - Dentro das conspirações favoráveis para este espetáculo, um texto inédito para teatro de Maria Adelaide Amaral parece ter sido uma delas, não é mesmo?
Leona - Claro. O texto da Maria Adelaide foi feito para esta montagem. A dramaturgia tem um frescor diferente em relação à Frida e Diego. Normalmente se fala mais das obras e do acidente. Começa nos anos 1940, quando ela sai da prisão, doente e com dores e reencontra Diego. Aí segue com uma série de flashbacks. Eu já havia trabalhado com texto de Maria Adelaide na série "Dalva & Herivelto". Quando ela me convidou, aceitei sem pestanejar. Ela foi uma autora sempre presente. Das leituras de mesa aos ensaios. O mais importante é que ela trabalhou com fatos reais da vida de ambos. É sempre bom trabalhar mais próximo do realismo.

CP - Como a atuação no teatro é jogo, como está sendo jogar com José Rubens Chachá como Diego?
Leona
- Nós já tínhamos trabalhado juntos em "Gabriela". Não propriamente contracenando. Nos encontramos várias vezes no teatro. Com ele, o jogo realmente se estabelece. É maravilhoso. Com duas pessoas no palco, é fundamental esta sintonia. Temos também dois músicos em cena, uma trilha sonora belíssima, figurinos e cenários impecáveis do Márcio Vinícius, além de uma bela iluminação e de várias projeções de quadros de ambos.

CP - E a tua volta ao Porto Alegre em Cena? O que é para a carreira de um ator participar deste festival, ainda mais para uma gaúcha?
Leona -
Eu já participei do Porto Alegre em Cena com três espetáculos: "Cacilda", "Toda Nudez Será Castigada" e "Um Bonde Chamado Desejo". É um dos festivais mais prestigiados do Brasil. Com estas outras montagens, eu ainda não tinha tido o prazer de atuar no Theatro São Pedro, talvez o melhor teatro do país. Sou formada em Artes Cênicas pelo Departamento de Arte Dramática da Ufrgs e o São Pedro sempre foi um sonho no tempo de faculdade. Por outro lado, é uma oportunidade de rever minha família, pois a agenda agitada que eu tenho acaba me deixando longe dos meus familiares.