Arte & Agenda

Itaú Cultural celebra o legado de Antônio Abujamra

“Antônio Abujamra – A Voz do Provocador” é a programação virtual especial com debates, show, espetáculo e leitura inéditos

Trajetória do ator e diretor paulista, Antônio Abujamra (1932-2015), é o mote do evento
Trajetória do ator e diretor paulista, Antônio Abujamra (1932-2015), é o mote do evento Foto : João Caldas

O Itaú Cultural abre sua agenda cênica de 2021, com uma homenagem a um dos principais nomes do teatro no Brasil, “Antônio Abujamra – a Voz do Provocador”, de 18 a 21 e de 25 a 28 de fevereiro. De quintas a domingos, a programação foca – em conversas, encenações inéditas e música – a trajetória de Antônio Abujamra (1932-2015), ator e diretor paulista que foi um dos primeiros a introduzir os princípios e métodos teatrais de Bertolt Brecht no Brasil. Ela celebra os 30 anos de fundação da Cia Os Fodidos Privilegiados, criada por ele no início da década de 1990, no Rio de Janeiro, que participa do evento. As atrações podem ser acessadas pela plataforma Zoom e os ingressos, via Sympla. 

Hoje, às 20h, “Abu, de Cabo a Rabo” recebe o crítico teatral Edélcio Mostaço, para traçar um panorama da vida e obra de Abujamra. Em pauta, a trajetória de Abu, como era conhecido, cuja carreira teve início em meados dos anos 1950. De humor ácido, levava para suas criações o espírito crítico, com inteligência, sensibilidade e um tom provocativo. Influenciado pelo dramaturgo alemão Brecht, com críticas sociais, explorava o que nem sempre está visível nas personalidades. 

Na sexta, às 20h, a segunda mesa reúne as atrizes Filomena Mancuzzo, Guta Stresser e Paula Sandroni, além do diretor João Fonseca, em “Cia Os Fodidos Privilegiados - Exorbitâncias e O Casamento, a Renovação do Grupo”. Integrantes do elenco, eles abordam o caminho trilhado nos 30 anos que o grupo celebra em 2021 e destacam um momento da virada, com histórias e a exibição de cenas de peças que marcaram época. A Cia Os Fodidos Privilegiados foi criada em 1991, no Rio de Janeiro, encenando três peças no mesmo ano: “Um Certo Hamlet”, “A Serpente” e “Phaedra”. Em 1993, Abujamra foi para São Paulo, mas quando retornou ao Rio, em 1995, retomou a companhia. Foi quando convidou diferentes artistas da cena carioca para integrar o espetáculo “Exorbitâncias”, com 60 atores em cena. E reafirmando sua identidade cênica, o grupo estreou em 1997 a sua versão de “O Casamento”, de Nelson Rodrigues, outro marco da companhia.

No final de semana (dias 20 e 21), também 20h, “Antônio Abujamra – A Voz do Provocador” traz “O Veneno do Teatro”, espetáculo criado pelo ator e interpretado por ele por mais de 10 anos, e que ganha nova versão, com roteiro e direção de Marcia Abujamra, sobrinha do homenageado e idealizadora da mostra. Retomando o título da primeira das três montagens anteriores – “O Veneno do Teatro” (1996), com participação de André Abujamra, o solo “A Voz do Provocador” (1997) e “provocador@” (2001) –, a montagem mantém-se essencialmente pessoal, ao combinar histórias de vida de Abujamra com fragmentos de textos de outros autores, poemas que ele sempre falou e seus pensamentos e opiniões sobre o teatro e a TV no país.  Interpretado por Elias Andreato, apresenta trechos de histórias biográficas presentes no original, e partes de vídeos desse e de outros espetáculos que ele dirigiu. E ainda textos sobre ele e trechos de depoimentos de alguns artistas, como Antunes Filho, Alcides Nogueira e Felipe Hirsch, captados há alguns anos. 

 

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