Itaú Cultural lança edital de fomento a montagens teatrais

Itaú Cultural lança edital de fomento a montagens teatrais

Inscrições serão abertas no dia 10 de março para grupos de todo o País

Luiz Gonzaga Lopes

Galiana Brasil e Eduardo Saron apresentam o edital convocatório de fomento à criação teatral

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Em uma época na qual os editais de fomento ao teatro são praticamente inexistentes e as portas foram sendo fechadas gradativamente, o Itaú Cultural optou pela contramão positiva e lançou nesta segunda-feira em São Paulo o edital convocatório Fomento à Criação Teatral: Montagem, cujas inscrições estarão abertas a partir do dia de 10 de março até 10 de abril para a montagem de dois espetáculos com o aporte de R$ 400 mil (R$ 200 mil cada) pelo site do Itaú Cultural

O anúncio foi feito pelo diretor do Itaú Cultural, Eduardo Saron e pela coordenadora do Núcleo de Artes Cênicas do instituto, Galiana Brasil. Entre as especificidades destacadas pelos dois representantes do IC estão a de que os grupos devem possuir no mínimo sete anos de existência comprovada e que o valor total do projeto inscrito não ultrapasse o faturamento anual da companhia ou pessoa jurídica inscrita. 

“Esta convocatória abrange dois produtos orgânicos e distintos. O primeiro tem a ver com os dois projetos que serão selecionados e a proposta temática e perenidade do grupo e do projeto. O segundo tem a ver com a possibilidade de mapeamento das propostas não selecionadas para balizar as ações do Itaú Cultural na área de Cênicas”, revelou Eduardo Saron.

Os espetáculos selecionados terão o aporte para a montagem, seguindo o cronograma de julho a outubro de 2020 e farão a estreia nacional na sede do Itaú Cultural, em São Paulo, no mês de novembro. “Nós tomamos o cuidado de pensar especificamente na montagem, pois o custeio da vinda do grupo, passagens, hospedagem, logística, cachês, será à parte”, observou Saron. 

A divulgação do resultado dos selecionados será feita no dia 10 de junho. Galiana Brasil destacou que este diálogo com outras ações do Itaú Cultural para a convocatória partiu do apoio do instituto ao espetáculo “Gota D´Água (Preta)”, que participou da edição de 2019 do Porto Alegre em Cena.

“Vimos nesta convocatória a proposição de legitimar ainda mais a vocação curatorial do nosso núcleo de Artes Cênicas. Apoiamos a pré-estreia do Gota, do Coletivo Negro, sob direção de Jê Oliveira, e o espetáculo conquistou diversos prêmios APCA, da Associação Paulista de Críticos de Arte, sendo Jê o primeiro diretor negro a receber esta distinção”, lembrou Galiana

O coordenador do Porto Alegre em Cena, Fernando Zugno esteve presente no anúncio do novo edital em São Paulo e destacou a ação do Itaú Cultural, principalmente na questão da territorialidade, da possibilidade de acesso a dramaturgias de outras regiões do país, como Norte e Nordeste, por exemplo.

“Os prêmios e fomentos ao teatro foram se extinguindo. Não temos mais Myriam Muniz, Petrobras. O Itaú Cultural nos dá este alento. Fomos o primeiro festival a levar Gota D´Água e apostamos também neste deslocamento e também neste olhar novo sobre o texto clássico. O espetáculo foi encenado no Theatro São Pedro, que seria inicialmente um espaço burguês, rococó, mas que teve adaptabilidade. Fizemos isto com o espetáculo “Lobo”, que era montado em contêiners e também foi para o São Pedro”, frisou Zugno. 

O diretor de Gota D´Água, Jê Oliveira, conta que estar no Porto Alegre em Cena foi participar de um festival-referência para qualquer grupo teatral do País.

“Fazer parte de um festival com estrutura digna, com belo tratamento para os grupos, foi uma celebração para nós. A gente enfrenta um problema ao contrário dos grupos de fora de SP.  Sair de São Paulo também é difícil. Além daqui, do Rio e Belo Horizonte, não fomos ainda para outros festivais e lugares. Muitas vezes é o Sesc que impulsiona a circulação ou que disponibiliza espaços”, salientou Jê, que para 2021 deve desenvolver um destes dois projetos: uma releitura de "Hamlet" ou um trabalho sobre o pagode dos anos 90 como manifestação de negritude e de periferia, mais no sentido romântico.


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