Arte & Agenda

Itaú Cultural presta homenagem a escritoras negras

Em encontro on-line, Conceição Evaristo comemora seu 75º aniversário com Paulina Chiziane 

Conceição Evaristo tem sete livros publicados, tendo sido eleita Personalidade Literária no Prêmio Jabuti 2019
Conceição Evaristo tem sete livros publicados, tendo sido eleita Personalidade Literária no Prêmio Jabuti 2019 Foto : André Seiti

O Itaú Cultural reverencia as escritoras negras Conceição Evaristo, que está completando 75 anos, e a moçambicana Paulina Chiziane, que acaba de vencer o Prêmio Camões de Literatura. Nesta segunda-feira, às 15h, no YouTube e site da instituição, elas falam sobre suas experiências, ativismo e “escrevivências” – como define a aniversariante a escrita que nasce das vivências. Ambas têm obras que abordam, com lirismo e contundência, a negritude de uma forma geral e, em especial, a mulher negra.

Ficcionista e ensaísta, Conceição é Mestre em Literatura Brasileira (PUC/RJ) e doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Sua primeira publicação (1990) foi na série Cadernos Negros do grupo Quilombhoje. Tem sete livros publicados, entre eles o vencedor do Jabuti, “Olhos D’água” (2015), cinco deles traduzidos para o inglês, francês, espanhol e árabe. Ganhou o Prêmio do Governo de Minas Gerais pelo conjunto de sua obra, Nicolás Guillén de Literatura pela Caribbean Philosophical Association e de Mestra das Periferias pelo Instituto Maria e João Aleixo (2018). Em 2019, teve três de seus livros aprovados no PNLD Nacional. No mesmo ano lançou “Poemas da Recordação e Outros Movimentos”, em edição português/francês no Salão do Livro de Paris; e foi eleita personalidade literária do Jabuti. 

Paulina conquistou o Prêmio José Craveirinha, em Moçambique, em 2003, com "Niketche: uma História de Poligamia". É a primeira africana a receber o Prêmio Camões de Literatura, recém concedido. "Não foi fácil começar a publicar sendo mulher e negra. Depois de tantas lutas, quando achei que já estava tudo acabado, vem esse prêmio. O que eu posso dizer? É uma grande alegria”, declarou ela. A escritora cresceu nos subúrbios da capital de Moçambique, Maputo. Nasceu em uma família protestante, onde se falavam as línguas Chope e Ronga. Aprendeu o português na escola de uma missão católica. Hoje vive e trabalha na Zambézia, província da região central de Moçambique. Na juventude, participou ativamente na cena política de seu país como membro da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), onde, segundo declarou, em entrevista, aprendeu a arte da militância. Deixou de se envolver na política para se dedicar à escrita e publicar suas obras. Entre as razões da sua escolha estava a desilusão com a política do partido Frelimo pós-independência, com suas ambivalências ideológicas internas e diretrizes sobre a mono e a poligamia e pelo que via como hipocrisia em relação à liberdade econômica da mulher.

Primeira mulher a publicar um romance em Moçambique, se iniciou na literatura em 1984, com contos publicados na imprensa. A sua trajetória literária é polêmica sobre assuntos sociais, como a prática de poligamia por lá. Com o seu primeiro livro, “Balada de Amor ao Vento” (1990), discute essa prática durante o período colonial. Devido à sua participação ativa nas políticas da Frelimo, a sua narrativa reflete o mal-estar social de um país devastado pela guerra de libertação e os conflitos civis que aconteceram após a independência. Em 2016, anunciou o abandono da escrita, cansada das lutas travadas ao longo da sua carreira. 

Guia de Programação: a grade dos canais da TV aberta desta segunda-feira, dia 19 de outubro de 2026

As informações são repassadas pelas emissoras de televisão e podem sofrer alteração sem aviso prévio