O pesquisador e neurocientista Iván Izquierdo morto nesta terça-feira, dia 9, aos 83 anos, em razão de uma pneumonia pós-covid, era considerado um dos mais importantes pesquisadores neurocientistas do mundo, era graduado em Medicina e doutorado em Farmacologia. Professor de Medicina e coordenador do Centro de Memória da PUCRS, onde mantinha pesquisa e estudos constantes sobre a memória.
O governador Eduardo Leite se manifestou nas redes sociais sobre a morte do cientista:
“O mundo perdeu hoje um dos seus maiores neurocientistas. Iván Izquierdo, 84 anos, argentino de nascimento e, para nosso orgulho, radicado no RS, era referência mundial em pesquisas sobre memória. Que sua trajetória inspire as novas gerações e simbolize a valorização da ciência”.
O diretor do Instituto do Cérebro do RS, Dr. Jaderson Costa da Costa, disse que: "Izquierdo foi um exemplo de pesquisador e professor que formou e motivou inúmeros neurocientistas. Ivan Izquierdo colocou no cenário Internacional as pesquisa sobre memória. Como idealizador, coordenador e pesquisador do Centro de Memória embasou as pesquisas da doença de Alzheimer no InsCer e formou jovens neurocientistas. Ivan Izquierdo, um grande homem, um talentoso cientista e um nobre Mestre", destacou.
Nascido na Argentina, Izquierdo morava no Brasil há 40 anos, sendo naturalizado brasileiro em 1981. Suas pesquisas trouxeram o entendimento sobre os diferentes tipos de memória e ajudaram a desmistificar a ideia de que áreas específicas do cérebro se dedicariam de maneira exclusiva a um tipo de atividade.
Pesquisador do Centro de Memória do Instituto do Cérebro do RS (InsCer), Izquierdo foi laureado com o prêmio Cientista do ano, em 2018, na área de neurociências, na categoria Professor, pelo Instituto Nanocell. Ele dividiu o reconhecimento com o também pesquisador Fernando Cesar Capovilla, da Universidade de São Paulo (USP). O InsCer/RS, inaugurado em 2012, é voltado a atender pacientes com doenças neurodegenerativas e lesões cerebrais. Em entrevista ao Correio do Povo, Izquierdo destacou que os maiores avanços se dão nos centros em que há contato entre a clínica e a pesquisa. “O diálogo com neurologistas e neurocirurgiões permitirá um passo adiante”, ressaltou na época.
O neurocientista sempre teve seu trabalho reconhecidos, recebendo mais de 60 prêmios e distinções nacionais e internacionais, como o Grã-Cruz da Ordem do Mérito Científico (1996), Prêmio Conrado Wessel (2007), Prêmio Almirante Alvaro Alberto (2010), Doutor Honoris Causa das universidades de Paraná e Córdoba, além de Professor Honorário das universidades de Buenos Aires e Córdoba e Professor Emérito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2014). Ele é também o pesquisador com o maior número de citações acadêmicas da América Latina.
No ano passado, um levantamento feito pelo Journal Plos Biology colocou sete professores da PUCRS na lista dos pesquisadores mais influentes do mundo. Na lista dos mais influentes ao longo da carreira aparecem quatro pesquisadores da PUCRS, sendo um deles Ivan Izquierdo. Já na lista dos mais influentes do mundo em 2019 aparecem: Ivan Izquierdo, Maria Martha Campos (Escola de Ciências da Saúde e da Vida), Moisés Bauer (Escola de Ciências da Saúde e da Vida), Renato Tetelbom Stein (Escola de Medicina), Roberto Esser Reis e Walter Filgueira de Azevedo.
Entre suas várias publicações sobre o tema memória, a mais conhecida é “A Arte de Esquecer”, que reúne ensaios que tratam da memória do indivíduo e da sociedade. Para o neurocientista, aprender a distinguir entre as informações que devemos deixar de lado e as que devemos guardar é uma “arte” difícil.
O livro trata dos vários tipos de memória, de suas respectivas áreas cerebrais, bem como das três grandes formas de exercer a arte do esquecimento: o bloqueio, a extinção e a repressão. Mostra que as pessoas são uma combinação das suas lembranças e esquecimentos. Segundo o escritor, a história da humanidade e o avanço da neurociência andam de mãos dadas assim como razão e emoção. Não é possível dissociar ou escolher apenas um caminho.