A "gráfica" representação da obra "não reflete os valores da Delta", disse a companhia aérea em um comunicado. "Sua direção artística e criativa cruzou a linha do bom gosto", considerou. Para o Bank of America, a obra pretendia "provocar e ofender". "Se tivessem nos comunicado desta intenção, teríamos decidido não patrociná-la", declarou o banco. A Fox News informou no domingo que a obra parece representar o presidente americano "sendo brutalmente esfaqueado até a morte por mulheres e minorias". E, em um tuíte, Donald Trump Jr. se questionou sobre o financiamento da obra.
I wonder how much of this "art" is funded by taxpayers? Serious question, when does "art" become political speech & does that change things? https://t.co/JfOmLLBJCn
— Donald Trump Jr. (@DonaldJTrumpJr) 11 de junho de 2017
Outros cidadãos pediram nas redes sociais que fizessem doações ao Public Theater, responsável pela apresentação da obra. A polêmica recorda o ocorrido no fim de maio, quando a comediante Kathy Griffin divulgou um vídeo em que levanta uma falsa cabeça de Trump decapitada, fazendo com que ela fosse difamada e demitida pela CNN, onde conduzia a cada ano a transmissão de Ano Novo.
O Public Theater não respondeu imediatamente um pedido de comentário, mas em seu site assegura que a obra de Shakespeare "nunca se sentiu mais contemporânea". Julio César possui "uma personalidade magnética, irreverente" e está "obcecado pelo poder absoluto", explica. "Julio César versa sobre o quão frágil é a democracia", assegura Eutis no mesmo site.
"As instituições com as quais crescemos, que herdamos da luta de muitas gerações de ancestrais, podem se esvair a qualquer momento", alerta o diretor. "Julio César pode ser lido como uma parábola de advertência para aqueles que tentam brigar pela democracia pelos meios não democráticos. Lutar contra o tirano não significa imitá-lo", afirmou. A obra, escrita em aproximadamente 1599 e que se passa no ano 44 a.C., é apresentada em Nova Iorque desde 23 de maio e continuará em cartaz até 18 de junho.