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Jards Macalé morre aos 82 anos de idade

Publicação no Instagram do músico informou a morte, sem maiores informações sobre a causa

Jards Macalé morreu nesta segunda-feira, dia 17
Jards Macalé morreu nesta segunda-feira, dia 17 Foto : Lea Aversa / Divulgação / CP

O músico Jards Macalé morreu nesta segunda-feira, dia 17, aos 83 anos. A informação foi confirmada por uma publicação do seu Instagram. “Jards Macalé nos deixou hoje. Chegou a acordar de uma cirurgia cantando 'Meu Nome é Gal', com toda a energia e bom humor que sempre teve. Cante, cante, cante. É assim que sempre lembraremos do nosso mestre, professor e farol de liberdade. Agradecemos, desde já, o carinho, o amor e a admiração de todos. Em breve informaremos detalhes sobre o funeral. Nessa soma de todas as coisas, o que sobra é a arte. Eu não quero mais ser moderno, quero ser eterno”, diz o post.

A causa da morte não foi divulgada oficialmente; o portal g1, no entanto, noticiou que o artista estava internado em um hospital no Rio de Janeiro, onde tratava um enfisema pulmonar, e sofreu uma parada cardíaca.

Neste ano, Jards esteve duas vezes em Porto Alegre. Em agosto se apresentou ao lado da banda Metá Metá no Salão de Atos da Ufrgs e em outubro fez um espetáculo no grande hall do Farol Santander, dentro da programação da Mostra Internacional de Arte Contemporânea (MIAC). Em 2023, subiu no palco da Associação Médica do Rio Grande do Sul para um show intimista. Ele iria se apresentar em 4 de dezembro no Galpão Ladeira das Artes, no Rio, e no dia 11, no Circo Voador, como convidado da banda de afrobeat carioca Abayomy Afrobeat, ao lado de Ney Matogross

Ícone da vanguarda e da contracultura, teve suas composições gravadas por artistas como Gal Costa, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Nara Leão, Elizeth Cardoso, entre outros, entre outros. Com indicações ao Grammy Latino em 2019 e 2022, foi premiado em 2023 no Prêmio da Música Brasileira nas categorias de melhor álbum e melhor canção.

Trajetória

Jards Macalé iniciou sua trajetória musical no Rio de Janeiro dos anos 1960, período em que mergulhou intensamente no estudo de teoria musical e violão erudito. Ainda jovem, frequentou ambientes culturais da cidade e se aproximou de mestres como o maestro Guerra-Peixe, que contribuíram para formar sua base técnica. Esse início de formação ampliou o repertório de referências que mais tarde marcaria sua obra, sempre aberta a experimentações.

No começo da carreira, Macalé também circulou entre rodas de samba, bares boêmios e o cenário artístico da zona sul carioca, onde conheceu parceiros fundamentais. Foi nesse ambiente que passou a se relacionar com poetas e artistas como Torquato Neto e Waly Salomão, figuras que se tornariam essenciais para o seu percurso.

Grande nome da MPB, Macalé teve participação fundamental no disco “Transa”, de Caetano Veloso, um dos mais cultuados do artista. Foi o compositor quem fez a direção musical do álbum, gravado em Londres, enquanto Caetano Veloso estava no exílio. Ele também tocou violão no disco. “Transa” foi essencial para que Caetano pudesse sair de um período sombrio da vida fora do País.

Ainda em 1971, no histórico show “Fa-tal”, a cantora Gal Costa incluiu três músicas de Jards Macalé no roteiro que se tornariam grandes sucessos de carreira: “Vapor Barato” e “Mal Secreto”, ambas compostas com Wally Salomão, seu parceiro mais constante, e “Hotel das Estrelas”, parceria com Duda.

Em 1972, Macalé lançou seu álbum mais conhecido, que leva seu nome. Além das faixas já apresentadas por Gal, gravou “Farinha do Desprezo” e “Movimento dos Barcos”, ambas em parceria com o poeta baiano Capinam. Macalé costumava dizer que nunca quis ser cantor só cedeu em colocar a própria voz em suas canções por insistência de Wally Salomão. "Ele me encheu o saco", costumava brincar.

"Aprender a Nadar”, veio em 1974. com destaque para a faixa “Anjo Exterminado’, parceria com Salomão. A letra brincava com o fato dele e do parceiro serem chamados de poetas malditos da música brasileira. "Moço solitário, poeta benquisto", diz trecho da canção.

Em entrevista ao Estadão, em 2023, Macalé falou não apenas sobre a fama de maldito, mas também sobre a insistência em classificá-los como um compositor de músicas "difíceis", em um lugar que ele chamou como "purgatório" da música brasileira. "Eu fiquei nesse purgatório durante muitos anos. Era difícil gravar, mas eu insistia. Mostrei que minha música é acessível a todos", disse.

Em meio de 2023, Macalé lançou “Coração Bifurcado”, seu 13º álbum de carreira. O disco trouxe as participações das cantoras Maria Bethânia e Ná Ozetti e foi dedicado à cantora Gal Costa, morta em novembro de 2022. Quando levou o disco aos palcos, em show de mesmo nome, Macalé fez questão de formar uma banda só com mulheres, que ele batizou de “As Macaléias”.

"A mulher é o símbolo do amor. Ela tem o poder de dar a vida a alguém, mesmo para aqueles que nem pediram para nascer, mas que terão a chance de conhecer a vida", disse o compositor à época, ao Estadão.

Em novembro de 2023, o Estadão mostrou, por meio de arquivos da censura federal, que uma parceria entre Macalé e Caetano permanece inédita. Trata-se da canção “Corta Essa”, feita no mesmo período do álbum “Transa”. Na época, Macalé não respondeu ao contato da reportagem para falar sobre a música.

*Com informações de Estadão Conteúdo.

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