A Maison Margiela apresentou nesta sexta-feira em Paris uma coleção masculina sóbria com toques de vintage, que contrastou com o estilo barroco habitual de seu novo diretor artístico, John Galliano, que não apareceu no desfile.
Preto e cinza foram os tons dominantes da coleção outono-inverno 2015, com calças de modelagem muito ampla e alguns looks de cores chamativas, tudo seguindo um estilo anos 70 que deu ao conjunto o aspecto de uma coleção saída de um brechó.
Galliano passou a dirigir Maison Margiela há quatro meses e o desfile era muito esperado pelos quatro mil fashionistas, compradores e jornalistas especializados que assistem à semana de moda. Mas a marca manteve sua tradição quase religiosa de anonimato e trabalho em equipe. Como de costume, os funcionários receberam o público sob os lustres de cristal da elegante sala Wagram de Paris. Todos vestiam túnicas brancas, como jalecos de funcionários de um laboratório. Ninguém fez a saudação no final desfile. Galliano? Nenhum sinal.
Que papel desempenhou o novo diretor artístico na nova coleção? Maison Margiela se limitou a dizer que se trata "de uma obra coletiva, supervisionada por John Galliano". Sua ausência, na verdade, surpreendeu a poucos. Galliano voltou este mês às passarelas da alta-costura, mas o fez de discretamente em Londres e não como é habitual em Paris, a cidade onde ocorreu a estrondosa polêmica do estilista, na época no topo da moda.
Demitido da Maison Dior após insultos antissemitas contra desconhecidos em um bar de Paris em 2011, Galliano desapareceu a vida pública durante cerca de três anos, antes de anunciar seu contrato com a Maison Margiela, que ostenta a modéstia como imagem da marca.
John Galliano fica invisível no desfile da Maison Margiela em Paris
Como já é tradição da grife, a equipe é valorizada sem ostentar a imagem do estilista