Um dos principais alvos da censura, Chico Buarque, que está completando 80 anos nesta quarta-feira, dia 19, registrou a ditadura brasileira em suas canções. “O Que Não Tem Censura, Nem Nunca Terá: Chico Buarque e a Repressão Artística Durante a Ditadura”, do jornalista porto-alegrense Márcio Pinheiro, recupera as primeiras décadas da carreira de Chico, em especial sua relação com a repressão durante a ditadura militar (1964-1985). A obra é fruto de pesquisa documental e traz paralelos históricos entre Chico, e episódios de censura nas décadas de 60, 70 e 80, a partir de documentos do Arquivo Nacional, artigos de periódicos da época e bibliografia para tratar do espírito combativo do artista. A obra tem lançamento hoje, às 17h30min, na Pocket Store Livraria (Félix da Cunha, 1167).
“Chico era uma obsessão intelectual mais antiga do que o Pasquim, objeto do meu livro anterior”. Ao me dar conta que ele completaria 80 anos, fiquei com a certeza de que era uma ótima data para juntar dois desses meus interesses: o personagem e o período. Assim, me pareceu natural escrever sobre ele – faltava achar um foco, já que uma biografia completa de um personagem vivo e ativo me parecia ser impossível de ser feita nesse momento e nessas condições. Dessa maneira, optei por fazer um recorte que, aproximadamente, vai de 1966 a 1989 tratando a ideia central de que Chico foi o artista brasileiro mais visado pela Censura – e de como ele soube enfrentá-la com inteligência e criatividade”, conta Márcio, lembrando que uma descoberta foi “notar como muitos censores se portavam como popstars. Gostavam da função que desempenhavam, faziam com gosto. Diria até que sentiam um certo orgulho”.
Sobre as virtudes de Francisco Buarque de Hollanda que se mantiveram intactas e acimas de qualquer suspeita nestas mais de seis décadas de carreira, Márcio Pinheiro responde assim: “Eu acho que a genialidade dele é um criador que está tranquilamente entre os maiores criadores da cultura brasileira. Qual fosse a área, pode colocar aí cinema, teatro, literatura, música, ele sempre teve uma contribuição interessante e importante a dar. E como é um criador de uma obra vasta e de grande qualidade, a maior virtude é ele ter permanecido atual e inovador até os dias de hoje. Tu ouves uma música dele feita há 50, 60 anos, com o mesmo prazer que tu podes ouvir agora, tu ouvias na época. Ou melhor, com a música que tu ouvias na época, tu ouves com o mesmo prazer nos dias de hoje.
Márcio Pinheiro é jornalista, escritor, editor literário e gestor cultural. Em 2022, lançou o livro “Rato de Redação – Sig e a história do Pasquim” e foi semifinalista do Prêmio Jabuti 2023. Foi editor das áreas de cultura e entretenimento do Jornal da Tarde em São Paulo (2001-2003) e da Gazeta Mercantil em Porto Alegre (1997-2001), além de ter ocupado diversas funções no jornal Zero Hora entre 2003 e 2010. Colaborou e colabora com publicações locais e nacionais como as revistas Florense, Placar, Showbizz, Billboard e os jornais O Estado de São Paulo, Jornal do Comércio e Zero Hora.