Desde os últimos acontecimentos na Cidade Baixa, que envolvem o fechamento de diversos bares e, mais recentemente, a interdição do Bar Opinião, uma longa discussão sobre os rumos do bairro mais boêmio da Capital vem tomando conta das redes sociais, dividindo opiniões e chegando aos poucos às ruas.
No último sábado, um grupo de cem pessoas protestou pelo bairro contra o fechamento dos estabelecimentos. Em busca de uma conciliação entre moradores e frequentadores, os manifestantes sugeriram alternativas para solucionar problemas pontuais – como poluição sonora e odor de urina nas calçadas.
“É possível alinhar interesses, porém tem que haver disposição para tanto. O que não pode é sair fechando os bares, tomando um lado da história”, contesta João Herminio Marques. Ele é um dos organizadores do evento “Ocupa CB”, outra caminhada que está programada para acontecer neste sábado à noite pela CB, e que já conta com mais de 5 mil confirmações no Facebook.
Para Duda Calvin, da Associação dos Músicos da Cidade Baixa, a grande questão seria trabalhar em soluções pensadas nas pessoas que vão para o bairro com a intenção de ficar nas ruas. “A interdição dos bares, como o Opinião, é uma atitude extrema, pois o problema com os decibéis está muito mais relacionado ao público que nem chega a entrar no bar”, aponta. Segundo ele, uma das opções plausíveis seria estimular a ocupação de outros pontos da Capital. Ideia, inclusive, já levada em consideração pela Prefeitura de Porto Alegre em conjunto com a Brigada Militar. A hipótese, que chegou aos ouvidos do público na última semana, seria transferir a concentração de pessoas da Cidade Baixa para o Anfiteatro Pôr-do-sol.
No entanto, a opção já gera controvérsias e foi contestada por uma das principais organizações criadas em prol do bem viver no bairro, a "Cidade Baixa em Alta". “Transferir é impossível. Além de não ter um investimento em anos, o Anfiteatro não tem segurança e nenhum atrativo”, enfatiza Tiago Faccio, um dos coordenadores do movimento. “Na Copa, as pessoas que estavam por lá acabavam indo para a Cidade Baixa após as 22 horas. Não precisa transferir nem tomar medidas enérgicas assim, basta fazer um bom planejamento e fiscalizar”, sugere.
Plano B
Uma alternativa já vem sendo executada por um grupo independente de músicos e produtores de bebidas artesanais, nas ruas da Capital. O "Porto Alegre Ativa" promove festas longe de zonas residenciais e é o mesmo grupo que já atuava na Praça dos Açorianos, antes do fechamento do tradicional Tutti, em setembro. “Realizamos uma festa há cerca de um mês no Anfiteatro e, depois que a prefeitura veio com a ideia de transferir o movimento noturno para lá, entramos em contato com a BM e começamos a ter um diálogo”, conta Alessandro Sias, um dos organizadores dos eventos.
Desde outubro, o movimento vem organizando festas de rua em espaços como a Praça do Arco e o Monumento das Cuias, e o número de adeptos só cresce. "Acho que nesse momento, nada mais natural do que se expressar com música, arte e poesia utilizando diferentes espaços da cidade ao ar livre, para confraternização e discussão de ideias que favoreçam a nossa Porto Alegre", conclui.
Jovens protestam contra a “morte” da Cidade Baixa
Manifestantes buscam trazer alternativas para o problema reclamado pelos moradores