Arte & Agenda

Jovialidade e blues de Buddy Guy contagiam público em show ousado

Com solos infindáveis, guitarrista travou duelo de sons com pianista Marty Sammon <br />

Foto : Tarsila Pereira/CP
A vitalidade não é a de um senhor de quase 76 anos (faz aniversário em 30 de julho). Parece um homem de quarenta e poucos. E quem escuta a sua guitarra berrar, diz que Buddy Guy sequer chegou nos 30 anos. O show da noite dessa terça-feira, no teatro do Bourbon Country, teve apenas oito músicas inteiras, alguns solos e brincadeiras com grandes sucessos. Durou aproximadamente uma hora e meia, não teve bis e ninguém reclamou. Pelo contrário, só ouvi elogios rasgados ao mestre de blues, fonte inspiradora de Jimi Hendrix e Eric Clapton.

O show começou com “Nobody understand me but my guitar”, do album Can't Quit the Blues (2006). Em seguida, o homem das camisas de petit soltou o hit de Muddy Watters, seu ídolo, “Hochie Coochie Man”. Foi o suficiente para quebrar o gelo, se é que em algum momento esteve frio o show. O público cantou junto. Buddy fazia solos infindáveis de guitarra. Fez duelo de sons com o excelente pianista Marty Sammon e com o guitarrista Ric “Jaz Guitar” Hall.

Tim Austin, baterista, Orlando Wright, baixista, completam a excelente banda do bluseiro americano. Na sequência, Buddy Guy tocou outro clássico de Muddy Watters: “She’s 19 years old”. Quando os primeiros acordes de “Fever”, de Peggy Lee, foram tocados, a galera foi ao delírio. Buddy comandava o público com solos de guitarra em volume baixo seguido de rasgadas exibições de sua habilidade. Ele também homenageou Albert King, Jimi Hendrix e Eric Clapton. Fez um pequeno solo de “I miss you” do Rolling Stones. Desceu do palco e caminhou no meio do público, que não soube respeitar o ídolo e tratou de cercá-lo, impossibilitando quem estava mais longe de apreciar o espetáculo.

Quando voltou ao palco para tocar “Someone else is steppin’ in”, Buddy reclamou das rádios. “Eu não sei por que as rádios não tocam mais blues hoje em dia”, comentou. Tocou “Sunshine your love”, do Cream com a mão esquerda, usando um paninho, esfregando a guitarra nas costas, com uma baqueta, tudo o que podia fazer. Por fim, homenageou o seu maior parceiro, Junior Wells, com “First time i meet the blues”. Ele encerrou o show e deu autógrafos no palco e jogando palhetas para o público. Foi o suficiente para entrar na minha lista de shows inesquecíveis.


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