O Projeto Musica no Memorial tem realização nesta quinta-feira, às 19h, no Auditório do Memorial do Ministério Público do RS (Praça Mal. Deodoro, 110), com o tema “Replicante apaixonado”. No evento, o jornalista cultural Juarez Fonseca conversa com o músico, professor, escritor, cineasta e fotógrafo Carlos Gerbase, que marcou a cena punk gaúcha com a banda Replicantes. Ele irá se apresentar também em um show intimista, acompanhado de Flávio Flu Santos. A entrada é franca.
O ano do nascimento de Carlos Gerbase deixou várias marcas para o futuro. Leonel Brizola torna-se governador do Rio Grande do Sul. Os revolucionários Fidel Castro e Che Guevara vencem as forças de Fulgêncio Batista em Cuba. A sonda russa Lunik II fotografa o lado escuro da Lua. Na música, Roberto Carlos grava o primeiro disco, morrem Villa-Lobos, Billie Holiday e Dolores Duran. No cinema, morre Cecil B. DeMille.
Caio Fernando Abreu diria que Gerbase é um aquariano predestinado. Discípulo virginiano de dona Emma de Mascheville, que veio cedo da Europa para se tornar uma lendária astróloga em Porto Alegre, o escritor Caio F. vislumbraria alguns caminhos e aptidões ao fazer o mapa astral de Gerbase – como fez o meu. Mas a astrologia não é uma ciência exata e ele não conseguiria prever que esses caminhos e aptidões fossem tantos.
Quando o adolescente Gerbase fotografava os jovens participantes do Festival Anchietano da Canção, duas dessas aptidões se manifestavam: a fotografia e a música. Na hora de escolher a faculdade, ele não seguiu como tantos a carreira do pai José, médico da Santa Casa. Influenciado pela curiosidade da mãe Léa, que lia muito e falava inglês, francês e alemão, optou pelo curso de Jornalismo. Do pai, herdou a paixão pelo Grêmio.
Pode parecer lugar-comum, mas com o tempo Carlos Gerbase tornou-se o chamado homem dos 7 instrumentos – ou mais: fotógrafo, jornalista, compositor, cantor, baterista, cineasta, professor universitário, contista, romancista – e também historiador, como se pode ver na exposição fotográfica apresentada recentemente na Fundação Ecarta, mostrando 50 anos em ação nas áreas de música, teatro, cinema.