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Juremir começa série de autógrafos e participações na Feira do Livro

Escritor, professor e colunista do Correio do Povo apresenta nesta quinta a "História Regional da Infâmia"

Juremir começa série de autógrafos e participações na Feira do Livro
Juremir começa série de autógrafos e participações na Feira do Livro Foto : Paulo Nunes / CP Memória
A reconstituição histórica do que foi a Revolução Farroupilha está mais calcada em mitos do que em verdades. Esta é uma das afirmações que se depreende da obra de Juremir Machado da Silva, que será autografada a partir das 18h30min desta quinta-feira, na Praça Central da Feira do Livro. Os mitos e heróis que compõem o imaginário deste contestador movimento armado rio-grandense, datado em década desde 1835 a 1845, são desconstruídos e desmontados pela pesquisa histórica árdua e minuciosa do jornalista, escritor e professor universitário, também colunista do Correio do Povo.

O livro em questão é “História Regional da Infâmia” (L&PM), que tem como subtítulo “O Destino dos Negros Farrapos e Outras Iniquidades Brasileiras (ou como se produzem os imaginários)”, que consumiu pelo menos três anos de pesquisa sistemática em 15 mil documentos por 12 pesquisadores e 252 livros lidos.

Na obra há a descoberta da infâmia entre os líderes do movimento, que traz de volta ao “plano dos mortais” os intocáveis nomes dos generais Bento Gonçalves, Neto, Canabarro e homens como Vicente da Fontoura e Domingos José de Almeida. Sobre esses, as descobertas são muitas: a luta armada financiada pela venda de negros; os interesses pessoais com reembolso financeiro pelo Império após o fim do movimento e a traição em Porongos. “Meu objetivo com este livro sempre foi claro, tentar contar a história a partir dos documentos, sem constrangimento ou conveniência. Esclarecer às pessoas que a Revolução Farroupilha não foi o que se conta nos livros convencionais”, diz.

Juremir lembra que a sua maior surpresa na pesquisa empreendida no Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul e em outros locais, com o manuseio da Coleção Varela e da Coleção Alfredo Ferreira Rodrigues, foi descobrir que Domingos José de Almeida assumiu vender negros para financiar o movimento; que os líderes do levante, que se diziam abolicionistas, reclamaram indenização pelos negros, e que realmente houve traição em Porongos, com matança de soldados negros.

Na sexta, o escritor participa da mesa “Revolução de 30 na História e na Ficção”, no Auditório Barbosa Lessa, com Moacyr Scliar, Sinval Medina e mediação de Flávio Ilha. E dia 12, às 19h30min, autografa “1930: Águas da Revolução” (Record). O livro é vendido aos assinantes do CP no (51) 3216-1600.

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