Juremir Machado da Silva lança amanhã a primeira edição completa da "Trilogia de Palomas", formada pelos livros "Cai a Noite Sobre Palomas" (1995), "Viagem ao Extremo Sul da Solidão" (1997) e "Fronteiras" (1999), editados anteriormente pela Sulina, que agora publica a coleção. São 900 conjuntos destinados exclusivamente aos assinantes do Correio do Povo. O lançamento será às 18h no hall de entrada do jornal (rua Caldas Júnior, 219) e os livros podem ser adquiridos diretamente na sessão de autógrafos ou pelo telefone (51) 3216-1600.
"Cai a Noite Sobre Palomas" é o primeiro romance do autor, também colunista do Correio do Povo, e foi escrito há 15 anos. Ao finalizá-lo, avaliou que "havia mais a ser contado, e os desdobramentos foram acontecendo até o terceiro livro", lembra. O termo trilogia se explica pela permanência do personagem narrador, Paulo Bica, por toda a narrativa. "O fio condutor é um personagem nascido e criado em Palomas que vai perdendo pedaços e se recompondo em sua trajetória de vida, entre menino, jovem e adulto. Palomas permanece nos três volumes porque o narrador está marcado pela ditadura e pelo lugar em que nasceu." A história começa nos anos 60. Palomas, um distrito de Santana do Livramento, onde Juremir Machado nasceu, serve como "microcosmo do Brasil". Na história, a cidade vivencia a ditadura e mudanças sociais ou pessoais como o rock, pílula anticoncepcional, drogas, revolução, militância, sexo. Pelo conteúdo, os três livros não precisam ser lidos na ordem de edição. "Eles são independentes, não é uma trilogia linear como ''O Tempo e o Vento'', embora o personagem reapareça. Pode embaralhar as cartas que o resultado continua", adianta o autor.
Esteticamente, a trilogia evidencia o pluralismo presente na obra literária de Juremir Machado. O texto é fragmentado, com muitas vozes e alternações de gêneros como romance, ensaio, poesia e crônica. "Não me interessa a linearidade ou padronizações da escrita. Algumas pessoas me criticam por falta de unidade, mas eu levei meses e meses para quebrar a unidade e deixar as vozes livres", aponta Machado, acrescentando que, ao fim, são romances "com trechos cômicos, tristes, violentos, leves. É uma escrita que abrange parte da complexidade da vida", avalia. Sobre a relação entre ficção e realidade, Juremir Machado nega que sejam obras biográficas. "Existem referências reais, mas o falso e o verdadeiro é com o leitor". Segundo Juremir, os três livros, escritos ao longo de quatro anos, evidenciam um ciclo existencial, estético e literário. Os três volumes custam R$ 49,90 à vista ou com boleto.
Juremir Machado lança trilogia amanhã
Sessão de autógrafos será no hall do Correio do Povo às 18h