Neste dia ocorreu a primeira sessão do cinematógrafo, criado pelos irmãos Louis e Pierre Lumière. Eles próprios não punham muita fé no futuro de sua invenção, mas, em 1914 - menos de 20 anos depois, um nada em termos de história da pintura ou da literatura -, o cinema já era um meio massivo que tornara internacionalmente conhecido um comediante chamado Charles Chaplin, com seu personagem Carlitos, que ele ainda ia aperfeiçoando.
Numa entrevista por telefone, de Londres, Philip Kemp - crítico e historiador, autor de livros como Inocência Letal, O Cinema de Alexander Mackendrick - assume que teve importantes colaboradores, principalmente nas pesquisas para "Tudo Sobre Cinema". Mas se assume como autor e, quando o repórter lhe diz que o livro tem duplo crédito - o outro autor seria Chistopher Frayling -, Kemp diz que o historiador lhe forneceu importantes subsídios para estabelecer a linha cronológica do cinema (também escreveu o prefácio), mas isso não lhe fornece o crédito de coautoria.
Justamente a linha cronológica. O cinema, de todas as artes, é a única que tem uma cronologia que veio sendo seguida ao longo dos últimos 116 anos, desde aquela pioneira primeira sessão, em Paris. "O que fizemos foi incrementar essa linha cronológica", Kemp agora fala no plural, honrando seus colaboradores. "O cinema é resultado de contribuições individuais e coletivas. Surgiu no bojo do desenvolvimento tecnológico e científico, quando se acreditava, os socialistas utópicos, que uma nova era estava surgindo para a humanidade. Para eles, de posse da técnica, os homens poderiam acabar com as desigualdades sociais e instalar a felicidade. Não foi bem assim, ou só se foi a felicidade que se pode ter assistindo a um filme."
O livro divide-se em seis partes que mapeiam a linha evolutiva e cronológica do cinema. Elas incluem os grandes movimentos - expressionismo, neorrealismo, nouvelle vague - e os grandes autores. D.W. Griffith, Sergei Eisenstein, Orson Welles, Jean-Luc Godard. Cinema nórdico, oriental, as revoluções tecnológicas dos anos 1850 e 60, a nova era digital consolidada nos anos 2000. Tudo, e com muitas fotos que reproduzem as cenas famosas do cinema e situam os diretores.