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Lançamento póstumo traz Erasmo dos anos 70

Cantor e compositor morreu em novembro de 2022

Erasmo Carlos em uma de suas passagens por Porto Alegre
Erasmo Carlos em uma de suas passagens por Porto Alegre Foto : Abelardo Marques / CP Memória

Na década de 1970, enquanto Roberto Carlos se firmava cada vez mais como um cantor essencialmente romântico, seu parceiro de fé e irmão camarada, Erasmo Carlos, seguia firme no propósito da juvenil Turma da Tijuca - que incluía, entre outros, Tim Maia e Jorge Ben (ainda sem o Jor) - de fazer rock’n’roll.

 

São dessa fase os três álbuns digitais que a gravadora Discobertas lançou nas plataformas digitais. O box Erasmo Carlos ao Vivo (Anos 70) traz gravações de três diferentes shows do cantor - que morreu em novembro de 2022, aos 81 anos, e teria completado 82 na segunda-feira passada.

O primeiro dos álbuns é de 1975, gravado com acompanhamento da Cia Paulista de Rock, em São Paulo.

 

Entre clássicos da Jovem Guarda, Erasmo canta músicas que estão no álbum Projeto Salva Terra, de 1974. São canções que, na coleção de sucessos da dupla Roberto-Erasmo, ficaram menos conhecidas, como Haroldo, o Robot Doméstico e A Lenda de Bob Nelson. Com letra em inglês, Bolas Azuis é cantada e tocada por Erasmo no melhor estilo rock’n’roll.

 

O segundo álbum, com o registro de um show apresentado por Erasmo em 1977, no MAM do Rio de Janeiro, traz apenas seis músicas. O artista canta É Proibido Fumar, Festa de Arromba e Negro Gato acompanhado pela banda A Bolha, um dos principais grupos de rock da música brasileira - eles tocaram também com nomes como Gal Costa e Raul Seixas.

 

Por fim, o registro de 1979, gravado na lendária boate Biblos, no Rio, tem sucessos como Coqueiro Verde, Cachaça Mecânica e a melancólica Sentado à Beira do Caminho.

 

FITAS COMPRADAS

 

Marcelo Froes, proprietário da Discobertas, que produziu o box com supervisão de Erasmo e Leo Esteves, filho do compositor, contou ao Estadão que arrematou o material registrado em fitas cassetes há alguns anos. Ele diz que os shows foram gravados por técnicos de som, embora de forma amadora, com a qualidade que a época permitia. Erasmo teve contato com as fitas em 2017.

 

"Erasmo adorou quando eu mostrei para ele. Fiquei receoso de que ele não fosse curtir a qualidade do som. Mas ele entendeu que o lance era rock’n’roll, que era algo para os fãs dele, e aprovou totalmente", conta Froes, que começou a trabalhar em projetos de Erasmo nos anos 1990 e dele se tornou amigo.

 

O produtor ressalta que, para além dos DVDs que Erasmo gravou nos anos 2000, esses são um dos poucos registros ao vivo conhecidos do cantor. "É bem legal. Mostram Erasmo em uma fase em que ele declarava que não curtia fazer shows, algo que viria a mudar nos anos 1980."

 

Em material distribuído para a imprensa, Leo Esteves comentou o lançamento com os registros do pai. "Tremendão puro na sua essência. Considero esse o seu momento mais criativo, como cantor e compositor. Toda a explosão de informações - como casamento, família, problemas existenciais, experiência com as drogas... A ebulição desse gênio, que tenho orgulho de chamar de pai, está resumida neste lançamento comemorando o seu aniversário (em 5 de junho)",

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