Arte & Agenda

Lançada pesquisa que mapeia o ensino de músicas nas escolas da Capital

Livro “A Música nas Escolas” do professor e pesquisador Estêvão Grezeli, foi lançado segunda-feira à noite no Colégio Marista Rosário, em Porto Alegre

Professor  Estêvão Grezeli lançou e autografou o livro “A música nas Escolas da Rede Particular de Ensino de Porto Alegre/RS”, na segunda, dia 8, no Colégio Marista Rosário
Professor Estêvão Grezeli lançou e autografou o livro “A música nas Escolas da Rede Particular de Ensino de Porto Alegre/RS”, na segunda, dia 8, no Colégio Marista Rosário Foto : Gabriel Martins / Electro Photo / Divulgação / CP

De uma dissertação de mestrado nasceu o livro “A Música nas Escolas”, do professor de música do Colégio Marista Rosário, de Porto Alegre (RS), e regente da Orquestra Rosariense, Estêvão Grezeli. A publicação, inédita no Brasil, foi lançada oficialmente com recepção para convidados e autógrafos nesta segunda-feira à noite no Colégio Marista Rosário, na Capital. O estudo mapeou o ensino de música em escolas particulares da capital gaúcha, coletando dados como a formação dos profissionais que lecionam, faixa etária dos alunos em relação ao contato com a disciplina e infraestrutura oferecida pelas instituições para o aprendizado. A pesquisa ouviu profissionais de 88 instituições de ensino que oferecem a disciplina no componente curricular Artes.

Desde 2016, a legislação brasileira regulamenta a inserção da música no contexto escolar (Resolução CNE/CEB nº 2/2016), da Educação Infantil ao Ensino Médio. A disciplina esteve ausente dos currículos pela legislação de 1972 a 2008. De todas as linguagens do componente curricular Artes, o ensino de música é o único que possui uma Resolução Normativa.

Para seu trabalho de conclusão do mestrado em Educação pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), Grezeli considerou escolas com oferta de música na Educação Infantil (0 a 5 anos), Anos Iniciais (1º ao 5º ano do Ensino Básico), Anos Finais (6º ao 9º ano do Ensino Fundamental) e Ensino Médio (1º, 2º e 3º anos), em uma ou mais etapas. A pesquisa combinou métodos quantitativos e qualitativos, interpretados à luz da pedagogia da música e das teorias de políticas educacionais, revelando como as escolas particulares têm interpretado e aplicado a legislação. “A maioria das instituições de Educação Básica de Porto Alegre está em sintonia com a legislação, mas quando fizemos um recorte do Ensino Médio, os números decepcionam. Apenas 18,5% das escolas que participaram da pesquisa têm a música em sua grade curricular”, relata o professor. “Parece-nos que as instituições não entendem a importância da disciplina em todas as faixas etárias, todos os tempos e espaços da Educação Básica. Além disso, percebemos uma certa visão imediatista da educação, focada na preparação para concursos vestibulares, para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e para o trabalho, deixando de lado a formação humana e integral do sujeito, fundamental para qualquer sociedade”, reflete Grezeli.

Outro número que chama atenção é o de escolas que não possuem uma infraestrutura adequada para aulas de música: 41,2%. Em sua análise, o professor pontua que o espaço da sala de aula é parte do processo pedagógico de ensino e, quando o ambiente não dialoga com a proposta planejada, o aluno pode ter dificuldade na aprendizagem. A ausência de uma sala de música também pode ser um dos problemas da efetiva inserção da disciplina nas escolas.

Quanto à formação dos profissionais que atuam na disciplina de música, 97% têm Licenciatura em Música, 76,5% possuem alguma especialização e 20,6% têm mestrado na área da Música ou da Educação. Apenas 2,9% afirmaram possuir titulação de Doutorado ou Pós-Doutorado. “Nota-se o esforço assertivo dos gestores escolares em adequar seus quadros de profissionais de música com formação em Licenciatura. Esse movimento qualifica o ensino e estimula os profissionais na busca por formação continuada e aperfeiçoamento didático”, afirma Estêvão Grezeli.

MULTIDISCIPLINAR

Além de discutir currículo, formação docente e atividades extracurriculares, o livro “A Música nas Escolas” apresenta produtos educacionais derivados da investigação, como um website de legislação, colóquios e um curso de formação continuada. Trata-se de um estudo relevante para educadores, gestores, pesquisadores e formuladores de políticas, ao mesmo tempo rigoroso e prático, que amplia o debate sobre o papel da música na formação integral dos estudantes e aponta caminhos para o futuro da educação musical no Brasil.

A versão online da publicação está disponível no site da Atena Editora e pode ser adquirida no formato e-book de forma gratuita. Nas demais plataformas, o e-book e o livro físico são comercializados por preços acessíveis. A coordenadora do curso de Especialização em Educação Musical da Uergs, Cristina Rolim Wolffenbüttel, doutora em Música, orientou a dissertação de Grezeli e atuou na revisão do livro.

O AUTOR

Estêvão Grezeli é mestre em Educação pela UERGS, especialista em Gestão Escolar pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UniSul) e graduado em Licenciatura em Música pelo Instituto Porto Alegre (IPA). É professor de música do Colégio Marista Rosário, onde também é regente da Orquestra Rosariense, projeto desenvolvido desde 2013 com enfoque socioeducacional. Engajado nas discussões sobre o currículo da Educação Musical na escola e na preparação de materiais didáticos específicos para cada faixa etária. Entre as principais premiações estão o Prêmio Paulo Gustavo para Música, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre no ano de 2023; em 2018, com o trabalho Orquestra Rosariense: o protagonismo por meio da musicalidade no Marista Rosário, recebeu o Troféu de Prata no 13º Prêmio de Responsabilidade Social, categoria Desenvolvimento Social, pelo Sindicato do Ensino Privado (Sinepe-RS); e Honra ao Mérito no 12º Prêmio de Responsabilidade Social, pelo Sinepe-RS, em 2017, na categoria Desenvolvimento Social.

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