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Lars Von Trier pede desculpa por citação de Hitler

Cineasta dinamarquês afirmou no Festival de Cannes que compreendia o líder nazista

Cineasta dinamarquês afirmou no Festival de Cannes que compreendia o líder nazista
Cineasta dinamarquês afirmou no Festival de Cannes que compreendia o líder nazista Foto : Francois Guillot / AFP / CP
O cineasta dinamarquês Lars Von Trier pediu desculpas nesta quarta-feira por ter afirmado no Festival de Cannes que compreendia Adolf Hitler. "Se eu ofendi alguém nesta manhã com as palavras que disse na coletiva de imprensa, peço desculpas sinceras", indicou o diretor em um e-mail enviado por um dos produtores de seu último filme. "Não sou antissemita ou racista de qualquer maneira, e muito menos nazista", destacou.

Lars von Trier apresentou no Festival de Cannes o filme "Melancholia", que disputa a Palma de Ouro. A obra, uma sátira sobre o fim do mundo, teria sido realizada para superar uma depressão. "Não é realmente um filme sobre o fim do mundo, e sim sobre um estado de ânimo. Passei por fases melancólicas, mas acredito que superei. Parei de beber, leio livros, agora me sinto bem. Mas a melancolia na arte, na música, é algo que sempre me agradou, algo que me comove", disse o diretor.

O filme começa no espaço sideral, com imagens do planeta "Melancholia", que segundo estudos de astrônomos se aproxima da Terra e a destruirá. A música do compositor alemão Richard Wagner aumenta a tensão.

Depois, Lars von Trier conta depois o que seriam os últimos dias do mundo através de duas irmãs, Justine e Claire, interpretadas pela americana Kirsten Dunst e pela francesa Charlotte Gainsbourg, vencedora em 2009 do prêmio de melhor atriz em Cannes por "Anticristo", também do dinamarquês.

Justine, publicitária, chega mais de duas horas atrasada ao próprio casamento e isto dá início a uma série de acontecimentos. As cenas da festa lembram "Festa de Família", de Thomas Vinterberg, compatriota de Lars von Trier e seu companheiro no grupo "Dogma" (1990), que question todas as convenções, tanto do cinema como sociais.

A segunda parte do filme trata da iminente aproximação do planeta "Melancholia". Claire, o marido e o filho observam com crescente angústia o fenômeno em um telescópio. Justine, nervosa e agitada durante o casamento, agora parece muito calma ante o choque de planetas. Ela proporciona ao pequeno sobrinho a única possibilidade de refúgio diante da catástrofe: "uma cabana mágica".

"Gosto de tudo o que tem relação com a dor, com o sofrimento, mas também tenho um lado de luz", disse o cineasta. O dinamarquês afirmou que o planeta está destruído, mas disse que isto não é grave porque todos vão morrer. Além disso, destacou que segue muito interessado em arte.

Polêmica sobre Hitler


Mas na sequência da entrevista, provocou polêmica, ao afirmar que compreendia e sentia "um pouco" de compaixão por Adolf Hitler, ao ser indagado sobre suas raízes alemãs. Ao lado de Kirsten Dunst, Von Trier declarou entender o líder nazista.

"Eu realmente gostaria de ser judeu, e então descobri que na verdade eu era um nazista. Você sabe, porque minha família era alemã, Hartmann, o que também me dá um certo prazer", declarou, respondendo a uma pergunta sobre a origem alemã de sua família. "Eu compreendo Hitler. Acho que ele fez algumas coisas erradas, sim, com certeza, mas eu consigo vê-lo sentado em seu bunker no final", afirmou o cineasta.

Quando Dunst, que também tem origem alemã, arregalou os olhos, claramente desconfortável com os comentários do diretor, e murmurou para Charlotte Gainsbourg um assustado "meu Deus!", Von Trier tentou acalmá-la: "mas eu tenho um argumento no final disto". "Estou apenas dizendo", tentou explicar Von Trier, "que acho que entendo este homem. Ele não é o que você poderia chamar de um cara legal, mas sim, eu entendo muito a seu respeito, e sinto por ele um pouco de compaixão, sim. Mas vá lá, eu não sou a favor da Segunda Guerra Mundial. E não sou contra os judeus".

Sob o olhar incrédulo dos repórteres, aparentemente ainda não satisfeito, o cineasta concluiu sua fala com uma crítica a Israel e um elogio a Albert Speer, arquiteto oficial do Terceiro Reich. "É claro que gosto muito dos judeus - mas nem tanto, porque Israel é um pé no saco. Mesmo assim - como é que eu termino esta frase? - eu apenas gostaria de dizer, sobre a arte, que gosto muito de Speer", indicou, destacando o "talento" do arquiteto nazista, condenado por crimes contra a humanidade. "O.K., então, sou um nazista", disse Von Trier, dando de ombros.


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