Arte & Agenda

LCD Soundsystem causa seu eletrochoque no RS

Banda de James Murphy tocou para 1,3 mil pessoas na Casa do Gaúcho

Show reuniu cerca de 1,3 mil pessoas na Casa do Gaúcho
Show reuniu cerca de 1,3 mil pessoas na Casa do Gaúcho Foto : Emmanuel Denaui / Especial CP
O paradoxo estava lançado, uma banda que tem data para acabar, 2 de abril, com show no Madison Square Garden, em Nova York, iria tocar na Casa do Gaúcho na noite deste domingo. A melancolia dos derradeiros shows com a adrenalina do choque da melhor música eletrônica, o eletro choque do LCD Soundsystem. Isto tudo pela primeira vez em Porto Alegre.

Durante 1h46min da noite deste domingo, cerca de 1,3 mil pessoas viram o nova-iorquino James Murphy, 41 anos, mostrar o que todos já sabiam, que a banda não devia terminar, que poderia continuar mais uns bons 10 anos, pois são o que de mais atual existe na música. Mas vamos ao show.

Às 22h22min da noite quente deste domingo, a LCD Soundsystem subiu ao palco, com James Murphy já um pouco mais gordo do que na fase áurea do discos “LCD Soundsystem” (2005) e “Sound of Silver” (2007). Com uma taça na mão e segurando o microfone como um telefone Nextel, a banda começou o set list com seis petardos dançantes, cada um com sua característica.

“Dance Yrself Clean” que começa cadenciada e insiste nos sintetizadores, bateria, percussão, além da voz de Murphy cantando o “ah aaaah present company”. O eletro do LCD fica mais pesado e ainda mais dançante com “Drunk Girls”, com naipe de dois contrabaixos e refrão que cola no ouvido. As duas músicas são do mais recente e talvez último disco “This is Happening”.

Em “Get Innocuous”, Murphy pega as baquetas e faz uma dobradinha rítmica com Pat Mahoney, cujo nome foi citado em forma de apresentação pelo menos quatro vezes na noite, assim como Nancy Whang (teclados/sintetizadores). “Daft Punk is Playing at My House” põe todos para dançar com a pegada mais eletro-rock da noite.

Seguem-se na pegada da noite a alegrinha “I Can Change” e a clássica “All My Friends”, após dizer que não vai tentar falar português por ser bastante ruim e arriscar um “obrigado”. A metade do show passou e todos estavam embalados, não pensando no fim, do show e também da banda. A primeira parte do show terminou com a longa “Yeah”, com duração de quase 10 minutos.

O primeiro bis foi com “Someone Great”, “Losing my Edge” e “Home”. “Losing my Edge” mostra o lado profético de Murphy, pois no início da música que é mais falada do que cantada ele diz “que está perdendo o seu limite, que está perdendo a vantagem para os jovens da França e de Londres, mas ele estava lá em 1968”. Gravada há quase uma década, a música já era o prenúncio do fim da banda, do envelhecimento de Murphy, queixa que ele vem reiterando em entrevistas e programas de tevê.

O segundo bis foi com a balada um pouco melancólica: “New York, I Love You But You´re Bringing me Down”. A cidade que Murphy ama, mas que o está levando para baixo. A Big Apple que irá presenciar o fim ou um até breve da banda que deixou os porto-alegrenses mais alegres e embalados.

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