Lenine lançou, recentemente, o 10º álbum de sua carreira, "Chão", que terá algumas das suas faixas apresentadas no show desta noite e que, em breve, será mostrado na íntegra na nova turnê. Sobre o novo disco, Lenine diz que é um trabalho que nasceu do estímulo - "e vive-se de estímulos", diz Lenine, e já que apresenta gravações de elementos do cotidiano e que foram, de certa forma, "aparecendo" durante a produção. Assim, estão inseridos sons de chaleiras, motosserra e um pássaro (o afinado canário belga Frederico). O disco traz uma peculiaridade: não tem bateria, uma opção colocada desde o início pelo compositor. "É um novo relevo sonoro, uma janela que se abre", diz o compositor que completa: "Chão significa aquilo que te sustenta e tem uma intimidade e uma organicidade que se revela nesse trabalho".
Lenine em várias vozes
Lenine é um dos mais produtivos artistas brasileiros. Sua história ocupa um espaço sólido como cantor, compositor, arranjador, músico e produtor. São mais de 500 canções, sendo muitas já gravadas por artistas como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Maria Rita, Elba Ramalho, O Rappa, Fábio Jr., Frejat, Gabriel O Pensador, Dionne Warwick, entre outros. Ao longo desta história foram nove álbuns lançados, três DVDs, incluindo CD e DVD gravados ao vivo em Paris na Citté de La Musique e duas coletâneas, sendo uma lançada nos Estados Unidos pelo selo Six Degrees; direção e produção musical de filmes, trilhas sonoras de seriados, novelas e dança como a produzida para o grupo O Corpo.
Multipremiado, inclusive no exterior, Lenine lançou, em 1982, seu primeiro LP, "Baque Solto", em parceria com Lula Quiroga. O segundo disco veio dez anos depois, em parceria com o percussionista Marcos Suzano: "Olho de Peixe". A partir daí, seu nome foi inscrito entre os renovadores da MPB que projetariam o gênero nos anos 90, já miscigenado a influências pop. Em 1997 saiu o primeiro disco solo, "O Dia em que Faremos Contato", com uma roupagem mais pop. Dois anos depois lançou "Na Pressão". Em 2002, veio "Falange Canibal", espécie de "disco-manifesto" do compositor, que conta com a participação de inúmeros artistas, incluindo os nova-iorquinos do Living Colour.