O artista Leo Stockinger vai abrir a exposição “Vísceras, Corpo e Existência” na Galeria Stockinger (rua Luciana de Abreu, 450), bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, na próxima quinta-feira, das 19h às 21h. Com curadoria de Giordana Winckler, a mostra poderá ser visitada até o dia 28 de abril.
Radicado na Austrália desde 2005, Leo é neto de Xico Stockinger. Cresceu em meio ao ateliê do avô e domina as técnicas de trabalhar em madeira e metais que via Xico fazer. Ele admite a influência familiar, mas quis ir além e encontrar o seu caminho. Sua escultura passou a experimentar novos materiais.
O artista estudou escultura na National Art School de Sydney e, ao longo dos anos, incorporou diversas influências à sua produção. Seu trabalho reflete a vivência multicultural e a busca por novas formas de expressão, sem perder a conexão com a tradição da escultura. “Estar inserido em um ambiente tão diverso me permitiu expandir minha visão sobre a arte, absorvendo referências que vão da tradição indígena australiana à arte asiática e ocidental contemporânea”, destaca Leo Stockinger.
A série “Vísceras – Corpo e Existência” surgiu a partir da descoberta de um material vermelho de aspecto molhado e surpreendente plasticidade – um adesivo que evocava a matéria viva de carne e de vísceras. “Inspirado por essa descoberta, busquei corpos fossilizados nos troncos de árvores mortas na praia. Eram vestígios do tempo, restos esquecidos que carregavam histórias em suas fibras secas”, revela. Conforme conta Leo, este material químico também é usado em construções. Com o nome de “Hilti RE 500” é um adesivo epóxi de alto desempenho utilizado para ancoragens químicas, oferecendo resistência e durabilidade. A fusão desses elementos deu origem a um novo corpo escultórico, onde madeira e adesivo se unem como se fossem costurados, ressignificando a matéria.
A mostra integra o “Projeto Portas Abertas”, promovido pela Fundação Bienal do Mercosul. A exposição conta com textos assinados pelo crítico de arte Jacob Klintowitz e pelo artista Tom Isaacs, de Sydney, que refletem sobre a poética e o impacto do trabalho de Leo Stockinger. Embora o escultor já tenha participado de exposições coletivas em cidades como Brasília e Paraty, esta será a primeira vez que ele exibe um conjunto de obras solo no Brasil.
Em visita ao jornal Correio do Povo, ele contou que está muito feliz por voltar a Porto Alegre. Andar pela cidade lhe traz muitas recordações da infância. A exposição é voltada para colecionadores, apreciadores de arte e o público interessado em cultura e artes visuais. Além da exibição das obras, estão previstas visitas guiadas.
Ainda não há um calendário oficial para que “Vísceras – Corpo e Existência” seja exibida em outras cidades do Rio Grande do Sul e do Brasil, mas algumas esculturas – especialmente as de grande porte – poderão permanecer no país, abrindo caminho para futuras exibições. “Quero que essa mostra seja um ponto de partida para um diálogo maior com o Brasil. Deixar obras aqui é uma maneira de manter essa conexão viva”, finaliza Leo Stockinger.