Arte & Agenda

Literatura africana é destaque do Caderno de Sábado

Suplemento do Correio do Povo apresenta as diversas vertentes dessa cultura

O moçambicano Mia Couto é um dos principais escritores africanos da atualidade
O moçambicano Mia Couto é um dos principais escritores africanos da atualidade Foto : Vinicus Roratto / CP Memória
A edição deste final de semana do Caderno de Sábado traz um panorama sobre a literatura africana. Com artigos de seis pensadores gaúchos, serão apresentadas as diversas vertentes e características desta cultura que ainda recebe pouca atenção, especialmente nos países de língua portuguesa. O Brasil, por exemplo, vai conhecendo a passos lentos os inúmeros registros e autores que expõem aquele continente.

As obras produzidas no país começaram a ganhar projeção por tratarem do anticolonialismo e da chamada “África Negra”, que fala da identidade e da cultura local. Com uma fiel descrição do dia a dia africano, os assuntos eram a escolha certa de muitos autores, principalmente até o começo do século XX. Depois disso, a questão principal já passou a ser a emancipação das colônias e as agitações tribais. E foi aí que a literatura africana obteve repercussão mundial, encabeçada por Wole Soyinka, Nadine Gordimer e Naguib Mahfuz, todos detentores do Prêmio Nobel de Literatura.

Ao longo do tempo e com novas gerações de autores, as narrativas ganharam oficialmente caráter metafórico. Isso porque muito perceberam que para atingir a universalidade no mundo literário era preciso ter liberdade para desenvolver temas que vão além das próprias origens. Para alguns especialistas, esse cenário sugere que falar apenas sobre a realidade regional não despertava interesse mundial. Por isso, a saída foi achar maneiras mais abrangentes de abordar o assunto, além de buscar cada vez mais publicar em outros idiomas, como fazem Mia Couto, José Eduardo Agualusa e José Luandino Vieira, principais representantes da literatura africana atual.

O papel das mulheres no continente, a cultura francesa e a muçulmana, são outras temas bastante recorrentes nos livros, e tornam ainda mais amplo o contexto que o envolve. Com grandes expoentes da poesia, principalmente na África do Sul, e do romance, as ditas literaturas africanas têm se difundido pelo mundo por meio de coletâneas que reúnem autores de diversas linhas. Seja pela popularidade de Mia Couto ou pela curiosidade por outros assuntos, elas começam, enfim, a serem reconhecidas pela sua qualidade e por sua importância histórico-social.

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