Barack Obama chegou a pensar seriamente em escolher Hillary Clinton como vice-presidente durante a campanha em 2008, mas desistiu, por temer o papel que desempenharia o ex-presidente Bill Clinton, segundo conta um colaborador num livro a ser lançado A Audácia de Ganhar (numa tradução livre), que parodia o próprio livro de Obama A Audácia da Esperança.
Na obra, consagrada à vitória histórica de Obama, seu chefe de campanha, David Plouffe diz ter ficado surpreso na primeira reunião voltada para escolher quem ocuparia a vice-presidência, em caso de vitória. À medida que a lista com os possíveis nomes se reduzia, Obama dizia aos assessores: "Continuo a pensar que Hillary tem a seu favor muito do que procuro num vice-presidente. Inteligência, disciplina, firmeza", relata Plouffe.
Mas, acrescentou Obama, "Acho que Bill pode ser um grande problema. Se eu a escolher, temo que não haja mais uma relação a dois, entre nós", narra Plouffe segundo extratos da obra publicado pela revista Time. Em agosto de 2008, a lista não comportava mais que três nomes: os dos senadores Joe Biden e Evan Bayh e o governador da Virgínia, Tim Kaine. "No final, Obama levou em consideração as numerosas complicações eventuais que pesavam mais que benefícios potenciais" na escolha de Hillary Clinton, diz Plouffe.
Obama finalmente escolheu Biden. Hillary Clinton é, hoje, chefe da diplomacia americana. Ela chegou a afirmar, recentemente, que não brigaria mais pela presidência, uma proposição recebida com prudência por observadores.
Livro "A Audácia de Ganhar" traz revelações sobre a campanha de Obama
Para Obama, Bill Clinton arruinou as chances de Hillary ser vice-presidente