"A representação de Mahatma Gandhi feita por Joseph Lelyveld merece desprezo", considerou Narendra Modi em seu blog. "Ela não deveria ser tolerada sob pretexto algum. O governo de Gujarat já decidiu proibir totalmente o livro", acrescentou.
Esta nova biografia foi publicada terça-feira nos Estados Unidos, mas ela não foi divulgada na Índia. A imprensa indiana protestou contra o livro depois que o jornal britânico Daily Mail considerou, com base na obra, que "Gandhi deixou sua esposa para viver com um amante". O Daily Telegraph indicou também que, segundo o livro, Gandhi "tinha posições racistas em relação aos negros sul-africanos".
O autor, ex-chefe de redação do New York Times, denunciou a interpretação feita por esses jornais que, segundo ele, deformaram as ideias de seu livro e, principalmente, sua análise sobre as relações entre Gandhi e um arquiteto judeu alemão, Hermann Kallenbach. "Não considero Gandhi racista ou bissexual. A palavra 'bissexual' não aparece em parte alguma do livro", reagiu em um comunicado.
Segundo a crítica feita pelo Wall Street Journal, o livro descreve Gandhi, considerado o grande defensor da não-violência, como "um doente sexual, um incompetente em política e um maníaco fanático".
No ano passado, uma obra sobre Gandhi intitulada "Gandhi: ambição nua", escrita por um historiador britânico, apresentou aspectos inéditos da vida privada deste ícone indiano, revelando que seu famoso voto de abstinência não o havia impedido de dormir com mulheres nuas, nem de ter experiências sexuais excêntricas.