A história da obra, cujo misterioso e cativante protagonista de cachos loiros tornou-se um ícone mundial, é o resultado de uma "aventura improvável", indicou o neto da irmã do autor, Olivier d'Agay, diretor da Sucessão Antoine de Saint-Exupéry, que reúne os herdeiros da família do escritor. "Saint-Exupéry partiu para os Estados Unidos não para escrever, mas para ajudar a convencer esse país a se juntar à luta contra a barbárie", ressaltou.
Saint-Exupéry, que foi um dos franceses mais conhecidos nos Estados Unidos, se mudou para Nova Iorque onde se radicou em 1941, junto com a esposa, a salvadorenha Consuelo Suncín, com a missão pessoal de convencer os americanos a entrar na guerra contra o nazismo. Foi então que a sua editora americana o convenceu a escrever uma história de Natal, um conto infantil. "Saint-Exupéry estava sempre desenhando em todos as partes a figura de um menino loiro, inspirado em sua infância feliz, e que se tornou o personagem dessa história."
O resultado da aventura, nascida em um contexto de exílio e de um mundo em guerra, foi este conto mágico e filosófico de uma centena de páginas, que se tornou um fenômeno editorial, "algo que Saint-Exupéry nunca poderia ter imaginado", segundo D'Agay.
Para festejar a data na França, a programação para 2013 inclui a publicação de uma nova edição do livro e do desenho animado, bem como um e-book e um novo episódio da série de animação "O Pequeno Príncipe", que foi vendido para uma centena de países. Também está sendo preparada uma nova biografia de Saint-Exupéry.
O manuscrito original de “O Pequeno Príncipe”, que foi traduzido para mais de 230 línguas e dialetos, é preservado na Pierpont Morgan Library, em Nova Iorque, que será um dos palcos principais das celebrações comemorativas do 70º aniversário. O Museu de Cartas e Manuscritos de Paris, editoras em dezenas de países, teatros como o Manuel Bonilla de Honduras, que é apoiado pela Fundação Saint-Exupéry para a juventude, e outras organizações não governamentais (ONGS) também se articulam para festejar o aniversário.
Em Nova Iorque, as comemorações vão se concentrar em 2014, com a exposição na Morgan Library, além da realização de um simpósio internacional sobre a história e um concerto de Michael Levinas, que prepara a ópera "O Pequeno Príncipe", a ser lançada em Lausanne, na Suíça, no final do próximo ano. Haverá também uma exposição em homenagem ao livro em Bryant Park, parque adjacente à Biblioteca de Nova Iorque, no centro de Manhattan.
A Fundação Antoine de Saint-Exupéry para os jovens, que incentiva ações de solidariedade para crianças carentes em 20 países no mundo, publicará neste aniversário uma edição do livro para cegos, para "compartilhar a magia e o sonho dessa história" em desenhos tridimensionais.
Uma exposição, que será realizada na sede da Unesco em Paris, a partir de 27 de abril, durante a Universidade da Terra, enfatizará os valores do "Pequeno Príncipe", "um personagem protetor do planeta, da paz, da infância". Tudo isso, a espera de mais um grande evento, que também será comemorado em todo o mundo: em janeiro de 2015, as obras de Saint-Exupéry vão passar a ser de domínio público - exceto na França e nos Estados Unidos -, o que levará a centenas de novas edições do livro que conquistou os corações de milhões de pessoas no planeta.