• Em imagens, a destruição do Mercado Público
Em frente ao Mercado Público, na manhã desta segunda-feira, Guimaraens olhava o prédio de maneira mais otimista e com um certo ar de alívio. “As primeiras imagens eram apocalípticas. Lembro de ter ficado perplexo, imaginando que não sobraria mais nada. Esse é o espaço mais democrático da cidade. Aqui não importa qual é a tua situação financeira. Todos somos iguais. A cidade passa por aqui”, comentou.
Ele ainda recordou dos últimos três grandes incêndios e o movimento que ocorreu na década de 70 a favor da desativação do prédio. “Naquela época, o Mercado Público era uma bomba relógio. Existiam vários puxadinhos dentro e as instalações estavam todas comprometidas. Hoje, a situação é muito diferente, mas mesmo assim passamos por esta tragédia novamente”, ressaltou.
O Mercado Público
Inaugurado em outubro de 1869, o Mercado Público de Porto Alegre foi criado para abrigar o comércio de abastecimento da cidade. O local foi tombado como bem cultural em 1979 e passou por um processo de restauração entre os anos 1990 e 1997, o que garantiu ao lugar um espaço maior aos estabelecimentos comerciais, mas sempre manteve a concepção arquitetônica original.
O incêndio desse sábado não foi o primeiro enfrentado pelo Mercado Público. Em 1912, um sinistro destruiu os chalés internos. Em 1941, uma enchente atingiu o prédio e, 38 anos mais tarde, mais dois sinistros destruíram as dependências do estabelecimento que serve como cartão postal de Porto Alegre. O local chegou a ser ameaçado de demolição durante a administração de Telmo Thompson Flores. Na época, era cogitada a construção de uma avenida.
Na década de 90, quando passou por reforma, o Mercado Público recuperou a percepção visual das arcadas. O trabalho resgatou as circulações internas, criou novos espaços de convivência e implantou redes de infraestrutura compatíveis com o funcionamento do prédio. A nova cobertura que possibilitou a integração entre o térreo e o 2º Pavimento.
No 2º pavimento, onde antes existiam escritórios e repartições públicas, diversos estabelecimentos como restaurantes e lancherias passaram ocupar o espaço e ganharam um lugar no Mercado Público.
Com nova infraestrutura, o cartão postal de Porto Alegre ganhou também um Memorial, além de duas escadas rolantes e dois elevadores. O custo da reforma ficou, na época, em R$ 9 milhões, sendo, 88% do orçamento da Prefeitura, e os demais 12% pelo Fundo Municipal do Mercado Público e doações diversas.