Arte & Agenda

Livro sobre Mercado Público disputava prêmio no dia do incêndio

Cerimônia de premiação ocorreu enquanto fogo atingia prédio histórico

Rafael Guimaraens lembrou história do Mercado Público em livro
Rafael Guimaraens lembrou história do Mercado Público em livro Foto : Vinícius Roratto
Enquanto as chamas começavam a tomar conta do andar superior do Mercado Público, no Centro de Porto Alegre, na noite de sábado, a sua história concorria em uma premiação a poucas quadras de distância. Isso porque o livro “Mercado Público, Palácio do Povo”, do jornalista Rafael Guimaraens, disputava a categoria especial no Prêmio da Associação Gaúcha de Escritores (Ages) 2013. A solenidade ocorreu no Centro Cultural Erico Verissimo, na rua dos Andradas.

• Em imagens, a destruição do Mercado Público

Em frente ao Mercado Público, na manhã desta segunda-feira, Guimaraens olhava o prédio de maneira mais otimista e com um certo ar de alívio. “As primeiras imagens eram apocalípticas. Lembro de ter ficado perplexo, imaginando que não sobraria mais nada. Esse é o espaço mais democrático da cidade. Aqui não importa qual é a tua situação financeira. Todos somos iguais. A cidade passa por aqui”, comentou.

Ele ainda recordou dos últimos três grandes incêndios e o movimento que ocorreu na década de 70 a favor da desativação do prédio. “Naquela época, o Mercado Público era uma bomba relógio. Existiam vários puxadinhos dentro e as instalações estavam todas comprometidas. Hoje, a situação é muito diferente, mas mesmo assim passamos por esta tragédia novamente”, ressaltou.

O Mercado Público

Inaugurado em outubro de 1869, o Mercado Público de Porto Alegre foi criado para abrigar o comércio de abastecimento da cidade. O local foi tombado como bem cultural em 1979 e passou por um processo de restauração entre os anos 1990 e 1997, o que garantiu ao lugar um espaço maior aos estabelecimentos comerciais, mas sempre manteve a concepção arquitetônica original.

O incêndio desse sábado não foi o primeiro enfrentado pelo Mercado Público. Em 1912, um sinistro destruiu os chalés internos. Em 1941, uma enchente atingiu o prédio e, 38 anos mais tarde, mais dois sinistros destruíram as dependências do estabelecimento que serve como cartão postal de Porto Alegre. O local chegou a ser ameaçado de demolição durante a administração de Telmo Thompson Flores. Na época, era cogitada a construção de uma avenida.

Na década de 90, quando passou por reforma, o Mercado Público recuperou a percepção visual das arcadas. O trabalho resgatou as circulações internas, criou novos espaços de convivência e implantou redes de infraestrutura compatíveis com o funcionamento do prédio. A nova cobertura que possibilitou a integração entre o térreo e o 2º Pavimento.

No 2º pavimento, onde antes existiam escritórios e repartições públicas, diversos estabelecimentos como restaurantes e lancherias passaram ocupar o espaço e ganharam um lugar no Mercado Público.

Com nova infraestrutura, o cartão postal de Porto Alegre ganhou também um Memorial, além de duas escadas rolantes e dois elevadores. O custo da reforma ficou, na época, em R$ 9 milhões, sendo, 88% do orçamento da Prefeitura, e os demais 12% pelo Fundo Municipal do Mercado Público e doações diversas.

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