O vocabulário utilizado pelos grandes mestres da literatura universal é a base de estudo de uma nova coleção publicada pela Editora Martins Fontes. Espinosa, Platão e Karl Marx são os três primeiros focalizados em suas obras, a partir, exatamente, de suas variadas utilizações de vocabulário.
No livro de Charles Ramond (membro da Universidade Michel de Montaigne, em Bordeaux, na França) sobre Espinosa, a pesquisa apresentada resulta bastante diferente do que se fosse mero levantamento. Espinosa nem sempre definia os termos que empregava; e, às vezes, os empregava em vários sentidos. Estudar seu vocabulário, garante Ramond, pode ser considerado um gesto um pouco desrespeitoso, uma verificação desconfiada mais do que uma recitação dócil. Mas, explica o autor do livro, trata-se de um gesto muito respeitoso também, respeitoso da menor frase efetivamente escrita pelo filósofo, da menor palavra, do melhor adjetivo até o gênero, até o número.
Luc Brisson (da Universidade de Sorbonne, Paris) e Jean-François Pradeau (Doutor em Filosofia e especialista em filosofia antiga, especialmente da obra de Platão e Plotino) são os autores de "Vocabulário de Platão". Como todo filósofo, Platão tentou resolver problemas forjando conceitos, muitos dos quais não têm equivalentes escritos e inteligíveis em português. Os comentadores antigos de sua obra preferiram a maneira como o autor tinha exposto suas verdades. Procuravam sempre nos diálogos uma metodologia do verdadeiro. O livro de Brisson & Pradeau traz um estudo do tema de uma forma mais moderna, tentando mostrar como Platão trabalhava um discurso de modo que satisfizesse esse desejo de saber do qual pretendia fazer o tema da vida boa.
Conhecido pelo conjunto de suas teses sobre história, lutas de classe, capitalismo, entre outros temas; assim como também, pela postura crítica que caracterizou os diversos aspectos de sua atividade teórica, Marx, tema da obra de Emmanuel Renault, teve praticamente ignorado por seus estudiosos, o tema específico do vocabulário que lhe permitiu elaborar essas teses e formular a grande maioria de suas críticas (da filosofia, da política e da economia política, etc.). Pois é exatamente isso que Renault tenta restituir ao leitor em sua obra, apresentando o vocabulário de Marx sem deixar de insistir na intensa criatividade conceitual que o sustenta, nas suas hesitações e nas tensões que também o atravessam.
Livros analisam vocabulário de filósofos e escritores
Coleção da Editora Martins Fontes inclui Espinosa, Platão e Karl Marx