“Dom Quixote”, “Novo Testamento”, “Manifesto Comunista” e “Lolita” foram alguns dos livros discutidos no primeiro módulo do seminário Livros que abalaram o mundo, realizado em junho. Neste sábado, será iniciado o segundo módulo, com outras oito obras que tiveram grande relevância histórica e se consagraram como marcos de suas épocas. No primeiro encontro, o livro debatidos será “A Peste”, de Albert Camus, pela professora Regina Zilberman.
O escritor argentino Ariel Schettini, que falaria sobre o livro Vinte Poemas de Amor, de Pablo Neruda, não poderá comparecer devido ao cancelamento dos voos no aeroporto de Buenos Aires.
A mediação será do jornalista do Correio do Povo Luiz Gonzaga Lopes. A palestra ocorre neste sábado, das 9h às 12h, no Teatro Renascença (av. Erico Verissimo, 307).
Publicado em 1947, “A peste”, de Albert Camus, conta a história de trabalhadores que descobrem a solidariedade em meio a uma peste que assola a cidade de Oran, na Argélia. É considerada junto com “O Estrangeiro” uma das principais obras da literatura existencialista, tratando de assuntos relacionados à natureza do destino e da condição humana, a partir dos efeitos que o flagelo causa na sociedade desta cidade. “Vinte poemas de amor e uma canção desesperada” foi escrito em 1924, quando Pablo Neruda tinha apenas 20 anos de idade. No livro, Neruda entrecruza o erotismo da poesia que celebra o corpo da mulher com o gosto pela natureza.
Sobre “A Peste”, Regina Zilberman diz que é digno de ser escolhido como um livro que abalou o mundo por constituir uma das principais realizações da literatura do absurdo praticada pelos existencialistas franceses. “O livro concilia duas aspirações daquele grupo, de que participaram também Sartre (Jean-Paul) e Simone de Beauvoir, entre os nomes mais conhecidos: narra de modo objetivo e distanciado um evento que emerge de modo súbito, sem causas aparentes, e que altera inteiramente a vida dos indivíduos; e suscita uma atitude militante do grupo, exemplificando o teor engajado do movimento para além das idiossincrasias individuais”, afirma Regina, que analisará a obra de Camus, o lugar de “A Peste” neste conjunto, o modo narrativo e a temática do livro.
A professora lembra que o romance, no Brasil, foi traduzido por Graciliano Ramos, que se reconheceu no estilo objetivo e descarnado do escritor franco-argelino, que ele próprio exercitava. “A obra, como narrativa, tem méritos raramente alcançados por escritores contemporâneos: o modo narrativo objetivo, já mencionado, é um deles; o outro tem a ver com a criação de uma espécie de personagem coletiva, anônima - a multidão, cujos movimentos são traduzidos pelo autor de modo ímpar”.
O seminário ainda vai discutir nos próximos três sábados, livros como “O Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir, “Drácula”, de Bram Stoker, “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin, entre outros. As inscrições podem ser feitas no local, a R$ 50 para o público geral e R$ 25 para estudantes, professores, maiores de 60 anos e funcionários da Prefeitura de Porto Alegre. Mais detalhes no (51) 3289-8072 ou pelo www.coordenacaodolivro.blogspot.com.
Confira a programação do seminário:
– 2 de julho, 9h
"A Peste" (Albert Camus) por Regina Zilberman
"Vinte Poemas de Amor" (Pablo Neruda) por Ariel Schettini - CANCELADO
Mediador: Luiz Gonzaga Lopes
– 9 de julho, 9h
"A Origem das Espécies" (Charles Darwin) por José Roberto Goldim
"O Pequeno Príncipe" (Antoine de Saint-Exupéry) por Daniel Link
Mediador: Marcia Ivana
– 16 de julho, 9h
"Drácula" (Bram Stoker) por Paola Cortes Rocca
"O Segundo Sexo" (Simone de Beauvoir) por Jane Tutikian
Mediador: Sergius Gonzaga
– 23 de julho, 9h
"A Interpretação dos Sonhos" (Sigmund Freud) por Lucia Serrano Pereira
"O Apanhador no Campo de Centeio" (J. D. Salinger) por Eduardo Wolf
Mediador: Carlos André Moreira
Livros vão abalar o mundo
Começa neste sábado o segundo módulo do seminário de literatura da Secretaria Municipal de Cultura