Apesar do pequeno engarrafamento nas imediações do local, o acesso às entradas aconteceu sem transtornos. O Anfiteatro Beira-Rio é uma estrutura montada dentro do estádio do Internacional, cujo palco foi erguido na área da goleira em frente ao portão 7. O espaço de grama sintética ao redor do campo se transformou numa pista para espectadores, enquanto as arquibancadas comportavam mais público, somando 15 mil lugares disponíveis. O complexo ainda oferecia loja com produtos oficiais da banda, banheiros e zona para gestantes e deficientes físicos.
Ovacionado pela multidão quando subiu ao palco, o grupo abriu a turnê de reunião com os acordes de "O Vencedor". A plateia respondeu imediatamente, até Camelo abrir os trabalhos no microfone. Na sequência, "Retrato pra Iaiá", do disco "Bloco do Eu Sozinho" (2001), preencheu as curvas do anfiteatro com com sua pegada de bossa nova. Foi ao som das palmas sincronizadas que o grupo apresentou "Além do que se Vê" e fez todos brincarem de ser feliz com as notas de "Todo Carnaval Tem Seu Fim".
Em seguida, os cariocas mostraram sua versatilidade ao apresentar um lado mais intimista com o hit "O Vento", de 2005, e com os ritmos bem marcados de "Cadê Teu Suín? e “Sétimo Andar”. A primeira interação com o público veio com um "aí pessoal, quanta gente, muito obrigado", palavras proferidas por Camelo. O público retribuiu com "uh, é Los Hermanos".
O rock logo voltou a agitar o espaço com "Cara Estranho". Amarante, com sua voz singular, interpretou um "Um par" e mais um momento de interação seguiu com uma brincadeira do carioca, de 39 anos. "Não sei se é minha imaginação ou tô sentindo cheiro de churrasco?” “Cadê o churrasquinho pra matar a fome?", rebateu Camelo, levando todos às gargalhadas. Cantaram, então, "O Velho e o Moço”.
Um dos momentos mais emocionantes da noite foi a performance de "Sentimental", sucesso de 2001, que levou o público a acender a lanterna dos celulares e iluminar o Anfiteatro. A introdução instrumental de "Tenha Dó" ditou o ritmo dos minutos seguintes, marcado pela agitação e progressão de "Descoberta" e manteve o espírito de festa no espaço. Um solo bem executado do baterista Rodrigo Barba, levou o público aos berros, o que tornou a música da sequência, "Deixa o Verão”, quase inaudível.
A faceta intimista retornou com “Onde Vem a Calma”, acompanhada por um coro de palmas sincronizadas. Os cariocas continuaram o show com "Conversa de Botas Batidas", enquanto os fãs erguiam as mãos e balançavam no ritmo da melodia. Ao som de "A Flor" - canção a qual ganhou reconhecimento quando foi lançada no álbum “Bloco do Eu Sozinho" -, o delírio tomou conta da multidão que pulava inquieta e empolgada, mesmo com a aproximação do final. Regidos por palmas, os artistas fizeram uma reverência para a arquibancada e, com o apagar das luzes, se retiraram do palco.
Nem mesmo as 25 faixas performadas até então foram suficientes para satisfazer os fãs que presenciaram a reunião dos músicos. Era preciso mais para conter os presentes. E assim foi feito: “Adeus Você” abriu o bis, seguida pelo primeiro hit do quarteto, a icônica “Anna Júlia”, do álbum de estreia dos cariocas (1999), que carrega o mesmo nome do grupo. A música fez até mesmo os seguranças e a equipe de apoio pularem em êxtase.
“Quem Sabe” deu sequência ao show, e a efusiva “Pierrot” foi a última a ser tocada. No final, a mescla de palmas e gritos fez Amarante descer do palco e cumprimentar os fãs na grade de contenção. Emocionado, ele não queria deixar o Anfiteatro. E, certamente, o público também não queria a saída dele, porque na noite fria de Porto Alegre, ouvidos e corações foram aquecidos pelo legado dos Los Hermanos.