Arte & Agenda

Louis Vuitton leva um trem ao Museu do Louvre

Modelos da grife francesa desfilam em cenário curioso em Paris

Modelos desfilaram com chapéus estilo retrô
Modelos desfilaram com chapéus estilo retrô Foto : AFP
Uma estação de trem reconstituída no pátio do Museu do Louvre, em Paris, um relógio Vuitton e sons de passos perdidos. Uma grade desliza e, em meio à fumaça, surge um trem azul no estilo do Expresso do Oriente. Dentro do vagão, os chapéus das modelos se destacam em meio às sombras chinesas. Nesta quarta-feira de desfiles da marca, a locomotiva assovia, emergindo da fumaça. Uma a uma, as modelos do alto de saltos vertiginosos e com grandes chapéus modelados ao estilo 1900, descem na plataforma, ainda maiores diante dos carregadores de bagagens que as seguem, com uma mala em cada mão.

Um cenário astucioso: As mulheres, que usam longos casacos que estendem ainda mais as suas silhuetas, não se atrapalham, evoluindo graciosamente em torno do trem cintilante. E as bolsas, que são a base do sucesso da marca, possuem sua própria luz.

"O trem foi fabricado só para nós", afirmou o estilista Marc Jacobs. O veículo certamente custou uma pequena fortuna. "Nós começamos a trabalhar em seu modelo há cinco meses, logo depois do desfile no carrossel" colorido em outubro, indicou. Ele sugere reciclá-lo na "pop-up store", loja efêmera para a marca. "Será lamentável se ele não for mais usado", acrescenta, contando que o carrossel espetacular da temporada passada foi desmantelado, mas que seus cavalos foram incorporados às vitrines. O trem azul "não é um olhar nostálgico do passado. Tínhamos, acima de tudo, a noção romântica de um belo objeto a ser observado", explica o estilista tatuado de 48 anos, de cabelos negros e olhos verdes. 

As questões sobre a "modernidade" das vestimentas o irritam. "São as pessoas que vivem na modernidade, não suas roupas", disse o criador. A coleção evolui simplesmente em torno da "ideia de viagem". O que poderia ser mais evidente para um fabricante de malas? "Não se trata daquilo que pensei, vi ou imaginei. Não tento bancar o esperto ou o pedante", disse Marc Jacobs, alérgico às "intelectualizações" sobre a moda.

Jacobs  apresentou saias compridas sobre calças, aquecidas por casacos com grandes botões cintilantes ou redingotes femininos. Para os materiais, ele partiu "de coisas meio feias, de lãs de cobertores de cores e estampas duvidosas. Tem bordados de cristais e estampas de plástico plissados" para dar brilho. "Eu gosto muito da ideia de brincar com um artesanato humilde, um pouco ingênuo. Colocar um botão-joia em um casaco bege para torná-lo brilhante. Esse é o truque mais bobo que existe", explica o estilista, bancando o modesto.

Ao final do desfile, chovem elogios. "É um grande show, um verdadeiro espetáculo muito luxuoso", comenta Catherine Deneuve, geralmente discreta, que adorou os casacos com pele de avestruz, com o aspecto de coro manchado. "É um triunfo, é cinematográfico, magnífico", entusiasma-se a atriz americana Sarah Jessica Parker, famosa pelo papel da 'fashionista' Carrie em "Sex and the city". O veredicto lacônico de Harvey Weinstein, o distribuidor americano do filme "O Artista", foi o seguinte: "Eu gosto do seu trabalho, esse cara é genial".

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