A obra, quarto volume do quinteto “A Comédia Gaúcha”, traz 30 causos exaustivamente trabalhados por dois anos, temperados com muito bom humor ao narrar lembranças tipicamente interioranas, de quem nasceu e cresceu entre cidades como Bagé e Piratini. “Considero o mais bem escrito dos quatro já publicados; para quem dedicou a vida inteira à poesia, a experiência com a prosa é um aprendizado”, afirma.
“Filé de Borboleta”, que está sendo roteirizado por Tabajara Ruas, além do regionalismo irreverente e deliciosamente sonoro, traz referências a Miguel de Cervantes e Shakespeare, entre outros autores mundialmente consagrados, inseridos no universo gaúcho de forma lírica e inusitada. Escrever sobre temas gaúchos, aliás, é a sua grande paixão, além do cinema e da fotografia. “É quando chego mais perto da autossatisfação. A partir do Mampituba, tudo é exílio”, diverte-se Coronel.
Com uma extensa produção que inclui cerca de 50 livros — entre infantis, histórias da culinária gaúcha, causos, poemas, a “Cartilha Farroupilha”, “Legado das Missões”, e a coleção “Dicionários” (com edições de luxo dedicadas às obras de Mario Quintana, Fernando Pessoa, Gabriel García Márquez, Erico Verissimo, entre outros autores), o impulso criativo de Coronel parece não se esgotar.
“Sou um criador inquieto, um poeta do cotidiano, do infantil, do regional, que a todo tempo e em todo o lugar busca imagens que se traduzirão em obras. O grande prazer é que as pessoas se reconheçam em meus versos”, revela.
Coronel já prepara o quinto livro da “Comédia Gaúcha” e esboça o projeto de uma autobiografia.