Arte & Agenda

Luiz Coronel lança "Um Cronista Inesperado" em Porto Alegre

Livro reúne 24 crônicas inéditas que retratam memórias do autor

Lançamento de Luiz Coronel ocorre no Theatro São Pedro
Lançamento de Luiz Coronel ocorre no Theatro São Pedro Foto : Luis Ventura / CP Memória
Poeta, compositor e publicitário com sólida obra, o cronista nascido em Luiz Coronel não é inesperado como o título do livro “Um Cronista Inesperado” sugere. De Coronel, tudo se pode esperar, pois não tem medo de se aventurar por todos os gêneros literários em seus 73 anos. Com 24 crônicas inéditas, a obra retrata as memórias do autor, da idade mais inocente, da juventude até os anos 80 entre Bagé e Piratini. O lançamento será nesta terça-feira, às 19h30min, no foyer do Theatro São Pedro (Praça da Matriz, s/n), em Porto Alegre. Nas crônicas que atravessam as 215 páginas da obra, Coronel conversa com o tempo ou exercita o “mergulho no silencioso rio do tempo”, conforme Sergius Gonzaga.

“É um livro travesso que brinca, joga bola e sorri”, define Coronel. A noite será pontuada pelo “Quarteto Clássico” com Daniel Timm, Iran Jorge da Silva, Miguel Pimenta e Raquel Alquini. Com quase 200 citações de autores de Jorge Luis Borges a Mia Couto, de Jaime Vaz Brasil a Aldyr Garcia Schlee, no entremeio das crônicas, Coronel abre o jogo já em “Pondo as Cartas na Mesa”, com a citação de Otto Lara Resende: “Não vale a pena escrever se o que escrevemos não circulou antes no nosso sangue”.

O autor lembra de histórias de primos, tios e tias, de amigos e personalidades de Bagé e Piratini com a sinceridade de quem recorre a um pião rodando. “Estes articulistas que andam por aí muitas vezes não se permitem ser sinceros com eles mesmos. Quando a literatura permite a sinceridade, fecho os olhos e sou um súdito da nitidez”.

Contente com a emoção e o choro dos familiares, primeiros leitores, Coronel diz que a ideia não é a do autorrelevo. “Quis lembrar de coisas simples, vivências, da infância e da adolescência de alguém que teve humildade, que não foi criado em estufas e viveu para contar”, explica. Alguns personagens das crônicas são emblemáticos como o tio Djalma e a tia Geni. No fim de “O Colecionador de Lembranças”, talvez o trecho mais triste e belo. Após enterrar o marido Valdemar, a tia Geni diz: “Talvez, nestes últimos 60 anos, esta seja uma das primeiras noites em que vou dormir longe do Valdemar...”. No casarão da avenida Presidente Vargas, em Bagé, descrito no início, Coronel faz girar a roda da vida ao dizer que no atual bistrô da família Coronel, as pessoas podem um dia encontrar o poeta, ora cronista, sentado em um degrau, ora “tomando um café com pão e mortadela”.

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