“É um livro travesso que brinca, joga bola e sorri”, define Coronel. A noite será pontuada pelo “Quarteto Clássico” com Daniel Timm, Iran Jorge da Silva, Miguel Pimenta e Raquel Alquini. Com quase 200 citações de autores de Jorge Luis Borges a Mia Couto, de Jaime Vaz Brasil a Aldyr Garcia Schlee, no entremeio das crônicas, Coronel abre o jogo já em “Pondo as Cartas na Mesa”, com a citação de Otto Lara Resende: “Não vale a pena escrever se o que escrevemos não circulou antes no nosso sangue”.
O autor lembra de histórias de primos, tios e tias, de amigos e personalidades de Bagé e Piratini com a sinceridade de quem recorre a um pião rodando. “Estes articulistas que andam por aí muitas vezes não se permitem ser sinceros com eles mesmos. Quando a literatura permite a sinceridade, fecho os olhos e sou um súdito da nitidez”.
Contente com a emoção e o choro dos familiares, primeiros leitores, Coronel diz que a ideia não é a do autorrelevo. “Quis lembrar de coisas simples, vivências, da infância e da adolescência de alguém que teve humildade, que não foi criado em estufas e viveu para contar”, explica. Alguns personagens das crônicas são emblemáticos como o tio Djalma e a tia Geni. No fim de “O Colecionador de Lembranças”, talvez o trecho mais triste e belo. Após enterrar o marido Valdemar, a tia Geni diz: “Talvez, nestes últimos 60 anos, esta seja uma das primeiras noites em que vou dormir longe do Valdemar...”. No casarão da avenida Presidente Vargas, em Bagé, descrito no início, Coronel faz girar a roda da vida ao dizer que no atual bistrô da família Coronel, as pessoas podem um dia encontrar o poeta, ora cronista, sentado em um degrau, ora “tomando um café com pão e mortadela”.