A volta de um dos maiores sucessos do teatro nacional após a pandemia mundial que paralisou o setor por mais de dois anos, “Minha Vida em Marte”, faz turnê pelo Brasil, começando pela região sul: em junho passa por Porto Alegre, Novo Hamburgo e Curitiba; e nos próximos meses serão anunciadas datas para Goiânia, Brasília, Natal e Recife. Na capital gaúcha, o espetáculo terá estará hoje e amanhã, às 21h no Bourbon Country (Túlio de Rose, 80) e sessão extra neste sábado, às 18h. Já domingo, o Teatro Feevale (RS-239, 2755 - Campus II) receberá a comédia, às 19h, em Novo Hamburgo.
“Minha Vida em Marte” estreou em maio de 2017, no Rio de Janeiro; seguiu para São Paulo e já passou por diversas cidades brasileiras. De lá para cá, sempre com sessões esgotadas, foi vista por mais de 300 mil espectadores e recebeu cinco indicações a prêmios. Inspirou o filme “Minha Vida em Marte”, que levou mais de 5 milhões de espectadores aos cinemas e marca sua última atuação com o amigo Paulo Gustavo (1978-2021). Assim como no teatro e na televisão, Mônica foi dirigida por sua irmã, Susana Garcia, celebrando, mais uma vez, o sucesso da parceria.
A peça é a continuação da saga de Fernanda, personagem que surgiu pela primeira vez no teatro em 2005 quando Mônica Martelli lançou a comédia Os Homens São de Marte... E é pra Lá que eu Vou, sem imaginar o sucesso que a peça, protagonizada e escrita por ela, alcançaria. Fernanda, a personagem que ela criou para falar de amor e discutir o empoderamento feminino muito antes da expressão ter a importância que tem hoje, mudou a vida de Mônica. A autora, então com 36 anos, viu o espetáculo tornar-se um sucesso sem precedentes ao alcançar mais de 2,5 milhões de espectadores e dar origem a um filme homônimo – que arrastou mais de dois milhões pessoas para os cinemas – e a uma série televisiva com o mesmo título.
Em cena Fernanda, agora com 45 anos, à procura de respostas para a sobrevivência conjugal. “Demorei para fazer esta peça porque sei que só é possível falar com propriedade sobre um assunto quando se consegue olhar para ele com distanciamento”, resume a autora que, tal qual sua personagem, conhece a fundo a dor da separação. Tendo como suporte suas próprias experiências, Mônica leva ao teatro um monólogo bem-humorado que aproxima através do riso e leva homens e mulheres à reflexão. E assim a atriz se confirma como uma das autoras brasileiras que melhor traduzem o comportamento feminino moderno.
O enredo de Minha Vida em Marte
Em “Os Homens São de Marte...” Fernanda estava em busca do amor. “Minha Vida em Marte” traz agora a personagem já casada há oito anos com Tom, com quem ela teve uma menina, agora com cinco anos, Joana. Esse é o pano de fundo para a protagonista se questionar na terapia de grupo. É nas sessões de análise que ela narra e vivencia deliciosamente as alegrias e os muitos problemas do seu casamento. Ali ela expõe assuntos íntimos como a intolerância no casamento, a falta de tesão, as tentativas de “trabalhar a relação” e percebe que nas relações estagnadas, adia-se o afeto e acumulam-se mágoas. “É muito comum no casamento que a gente deixe para amanhã a ternura, o sexo e a tolerância. E quando percebemos isso, a família que tanto sonhamos já está por um fio”, revela a atriz sobre o destino de sua personagem.
Fernanda será capaz de superar a crise ou será preciso se separar? Vale a pena enfrentar a solidão? A comédia toca ainda em temas como traição, machismo, trabalho duplo da mulher e educação dos filhos. Minha Vida em Marte é um texto libertador que foi escrito sob a premissa de que ser feliz é fundamental.