Valorizando a integração entre diversas artes, a 61ª Feira do Livro de Porto Alegre vai destacar principalmente o casamento da literatura com a música. O evento, que começa nesta sexta-feira e se estende até 15 de novembro na Praça da Alfândega, no Centro da Capital, contará com a participação de artistas regionais e nacionais, que, além de dividirem suas experiências entre a escrita em prosa e versos e as melodias, darão uma “canja” ao público.
Durante a coletiva de imprensa na manhã desta terça-feira que apresentou a programação desta edição, a coordenadora da área adulta, Jussara Rodrigues, comentou que o destaque para a música foi uma grande e feliz coincidência, visto que muitos livros lançados recentemente têm músicos como autores ou assunto. Ela também ressaltou que o evento só tem a ganhar com a aproximação desta e de todas as expressões culturais. “Sempre foi importante mostrar que mesmo não estando na frente do livro, estamos e podemos estar próximos à literatura”, comentou, indicando que Alceu Valença, Kleiton & Kledir, Tico Santa Cruz, Renato Borghetti e Lucas Silveira, da Fresno, são apenas alguns dos nomes que participarão do evento, lançando obras, promovendo debates ou cantando suas letras.
A aproximação entre áreas, de fato, será um dos pilares da Feira em 2015, que terá como tema “Livros ajudam a pensar”. Conforme o presidente da Câmara Rio-grandense do Livro (CRL), Marco Cena Lopes, a ideia proposta foi a de reforçar que, mesmo em tempos digitais, os livros dão embasamento, educam e atuam no desenvolvimento humano. “Há uma distância muito grande entre saber e executar, que pode ser encurtada pelo conhecimento, pela leitura”, disse.
Evitando falar de crise, Cena contou que o evento teve que encarar diversas dificuldades financeiras, que se desenharam desde o início do ano, mas não chegará ao público nesta sexta menor ou pior. “Nós preparamos uma Feira do Livro mais racionalizada”, afirmou, esclarecendo que o período turbulento para a economia acarretou em readaptações na estruturação e na forma de fazer esta grande celebração à literatura, mas não reduziu atrações e atividades.
A situação também trouxe uma novidade, que foi a criação de uma campanha solicitando doações do público, via Lei Rouanet. A medida, conforme o presidente da CRL, contribuirá com as próximas edições. Cada cidadão poderá investir em projetos culturais até 6% do Imposto de Renda a recolher, no valor mínimo de R$ 100 – quantia que será deduzida no total devido à Receita Federal. Quem estiver interessado em colaborar poderá obter mais informações na própria Feira do Livro, no estande Conselho Regional de Administração do RS.
“O Pensador” e os livros que ajudam a pensar
Para mostrar uma guinada em direção às novas posturas necessárias no mundo, a campanha publicitária da Feira, instiga o leitor a pensar em assuntos que estão em pauta no momento por meio da imagem icônica da escultura “O Pensador”, de Auguste Rodin.
As peças montadas trazem uma série de perguntas, que, segundo o escritor e publicitário Luiz Coronel, muitas vezes trazem informações mais ricas do que as próprias afirmações. As questões envolvem desde a redução da maioridade penal e a violência doméstica à tecnologia e o papel das redes sociais no dia a dia, “fazendo um convite a pensar e refletir sobre esses importantes temas”, garantiu Coronel.
Conforme Jussara Rodrigues, este espaço de reflexão estará na programação em debates, que vão ocorrer diariamente, às 17h, abordando obras literárias que tratem sobre estes pontos debatidos atualmente pela sociedade. “Com isso, vamos mostrar, mais uma vez, o papel da literatura na construção do pensamento crítico”, destaca.
Lembrando que em 2015 se completa 560 anos do primeiro livro impresso, tarefa realizada por Johannes Gutenberg, o patrono desta 61ª edição, Dilan Camargo, ressaltou que a palavra escrita ainda tem muita força na nossa cultura, mesmo “em tempos em que todos querem responder 'o que você está pensando' nas redes sociais”. Para o autor, a campanha publicitária só reforça aquilo que o tema da Feira do Livro deste ano já revelava: o papel dos livros. “É por isso que a Feira está pensando, respondendo aquela pergunta, naquilo que é mais profundo do ser humano, a subjetividade”, falou.
Música na literatura ganha espaço na 61ª Feira do Livro
Alceu Valença, Kleiton & Kledir e Lucas Silveira são alguns nomes que participam do evento