A Biblioteca Pública do Estado (BPE), localizada na Rua Riachuelo, 1190, realiza o recital “Música para Erico” nesta segunda, dia 12, às 19h, em homenagem aos 120 anos de nascimento do escritor Erico Verissimo (1905–1975). O evento acontece no Salão Mourisco e conta com entrada gratuita.
Com curadoria da professora e escritora Marô Barbieri, o espetáculo reúne música e literatura, duas paixões que marcaram profundamente a trajetória de Verissimo. A apresentação conta com a participação dos músicos Olinda Allessandrini (piano) e Diego Grendene (clarinete), em um recital que será intercalado com leituras cênicas do livro “Solo de Clarineta: Memórias (primeiro volume)”, interpretadas pela atriz Elisa Lucas.
Erico Verissimo sempre deixou claro, em seus textos, seu amor pela música e como ela o tinha influenciado, chegando a afirmar que, se não fosse escritor, gostaria de ter sido músico. Desde sua estreia com “Fantoches”, passando por obras como “Música ao longe”, “O urso com música na barriga” e “Solo de Clarineta”, a música está presente de forma explícita ou sutil em todo o sua carreira literária.
O escritor e compositor Gérson Werlang aponta, em seu artigo “A música em ‘Caminhos cruzados’ e ‘O prisioneiro’”, alguns exemplos da influência de música nas narrativas de Erico: “em ‘As Mãos de Meu Filho’, a vida de um pianista é relembrada por sua mãe durante um recital, enquanto em ‘Caminhos Cruzados’, o autor adota uma estrutura narrativa inspirada na técnica musical do contraponto”.
A professora e pesquisadora Maria da Glória Bordini, especialista na vida e obra do escritor gaúcho, explica que “ele sempre se cercou de música. Jovenzinho, ouvia óperas com o pai. À medida que amadurecia, a música clássica o acompanhou no escritório e em casa. Apurou seu gosto instintivamente, na antiga programação da Rádio da Universidade, ao som da qual escrevia, comprando discos, frequentando a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa), e, nos Estados Unidos, convivendo com o Quarteto de Budapeste, no Mills College. Trocava sugestões com o amigo Herbert Caro, melômano como ele, e legou ao filho a apreciação ao jazz. A música lhe deu o sentido dos ritmos e a fluência das frases, que fizeram de sua literatura uma leitura tão cativante”, completa.
Os Artistas
Olinda Allessandrini é pianista e atualmente, é professora de Música de Câmara na Academia da Escola da Ospa, além de ser membra fundadora da Academia de Letras e Artes de Gramado.
Diego Grendene é clarinetista da Ospa e diretor do Conservatório Pablo Komlós – Escola de Música da Ospa. Desde 2011, atua como professor de todas as edições do Festival Internacional Sesc de Música, em Pelotas. Tem atuado como solista com a Ospa e outras orquestras, participado de gravações de CDs e trilhas sonoras de filmes.
Elisa Lucas é atriz, pesquisadora, dramaturga e locutora. Atualmente, desenvolve pesquisas de atuação, corpo/voz, criação dramatúrgica e personagens femininas na cena, e integra do Coletivo As DramaturgAs, que venceu o prêmio Açorianos de Literatura pela obra “Liberdade”.