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Maíra Freitas lança "Piano e Batucada" no Theatro São Pedro

Pianista, filha de Martinho da Vila, se apresenta com participação de Filipe Catto

Pianista, filha de Martinho da Vila, se apresenta com participação de Filipe Catto
Pianista, filha de Martinho da Vila, se apresenta com participação de Filipe Catto Foto : Cafi / Divulgação / CP
A pianista, arranjadora e cantora Maíra Freitas, filha do sambista Martinho da Vila, lança seu segundo disco, "Piano e Batucada" (Biscoito Fino/ Natura Musical), nesta quarta-feira, às 21h, no Theatro São Pedro (Praça da Matriz s/nº), com participação especial do cantor gaúcho Filipe Catto. O projeto, que inclui gravação do álbum e shows de lançamento em Recife, Porto Alegre e Rio de Janeiro, foi selecionado para receber patrocínio do edital nacional Natura Musical.

O álbum tem produção de Sacha Amback e conta também com participações especiais de parceiros como sua irmã Martn'ália, João Sabiá, Filipe Catto, Felipe Cordeiro, o grupo baiano Ilê Aiyê, com quem gravou em Salvador sua versão samba-reggae para "Feeling Good", sucesso interpretado por Nina Simone. O show estreou em outubro em Recife e depois da capital gaúcha vai para o Rio de Janeiro no dia 25 e para São Paulo, em dezembro.

No palco, Maíra (piano, voz, loops) é acompanhada na percussão e bateria pelos músicos Guilherme Oliveira e Cassius Theperson. No repertório estão as músicas do novo CD como as releituras de "Estranha Loucura (Michael Sullivan/Paulo Massadas), para o sucesso de Alcione em que dividiu os vocais com o gaúcho Filipe Catto, uma versão samba-reggae para "Feeling Good, de Nina Simone", e Minha Festa, de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito.

Maíra também mostra sua versão compositora em inéditas como "Êta", a faixa que abre o disco, parceria com Edu Krieger, "Gargalhada", com Felipe Cordeiro; "Cuidado Moça", parceria com o baiano radicado em São Paulo, Daniel Mã, e outras autorais como "Lembrar de Quê", baseada em versos do poeta português Fernando Pessoa; além de "Nua", "Volta" e "Danilo Dormindo". O show ainda conta com versões para Michael Jackson, Beat it, em bossa-jazz, e algumas músicas do pai, Martinho da Vila, como "Disritmia". Em entrevista ao Correio do Povo, Maíra fala um pouco mais do disco e do show.


Correio do Povo - Para começar a entrevista, como foi fazer releitura de músicas já interpretadas por cantoras como Alcione e Nina Simone?

Maíra Freitas - Eu estava conversando com o Filipe Catto. Gravei um piano no disco dele. A gente estava falando da Alcione e eu fui para o piano e quis fazer uma coisa diferente, pois não tem como chegar nem perto da grande Alcione, a Marrom. "Estranha Loucura" é uma música na qual a letra fala da mulher louca, destruída, roga uma praga ("vai sentir falta de mim"), que está a ponto de colocar veneno na comida do seu homem. Tem uns efeitos, umas vozes, quase um coral de fantasmas. Por Nina Simone, eu tenho uma admiração de uma negra, pianista clássica. Sempre quis gravar alguma música da Nina. Aí peguei "Feeling Good" e fui experimentando coisas e virou um samba reggae, assim entrou o Ylê- Aiyê.

CP - Quanto tempo de construção do disco?
Maíra - Foram mais ou menos uns dois anos. Lá pelo final de 2012 e início de 2013, me pediam muito um show com piano, voz e percussão. Comecei a embarcar neste desafio e a partir dos shows eu comecei a delinear este "Piano e Batucada". Queria fazer algo bacana, dançante, mas que não fosse tão jazzístico, chato ou conceitual. Fui descobrindo maneiras de cantar e tocar, levadas que se completavam com piano e bateria.

CP - Quem são os gaúchos que estão na tua lista de amigos e parceiros, além do Filipe Catto?
Maíra - O Yamandu Costa ainda não é parceiro musical, mas já é parceiro de copo lá no Rio de Janeiro. Tenho também o acordeonista Bebe Kramer. A gauchada que mora no Rio acaba ficando amiga mais cedo ou mais tarde.

CP - Queria que tu falasse sobre a distribuição das tuas músicas e sobre o apoio do edital Natura Musical?
Maíra - O edital foi super importante. Se eu não tivesse o apoio do Natura, ia demorar mais para fazer o disco. Apesar de ser mais democrático atualmente para gravar e também para acessar música, os músicos sempre vão precisar de dinheiro e apoio, pois os contratos com gravadoras não são mais como no passado. O disco é sempre um cartão de visita. No primeiro, eu tive a Biscoito Fino. No segundo, eu tive a Biscoito e o Natura. Está tudo mais democrático. Tem streaming, internet. Você pode digitar Maíra Freitas e vai poder acessar minhas músicas. Afinal, a música é para ouvir. E temos que ir para a estrada, pois o show é o contato, é o segundo passo. Estamos ansiosos para tocar no Theatro São Pedro. Todos me falam maravilhas do teatro e eu quero colocar as mãos naquele piano de cauda.

CP - Tem um nepotismo na equipe?
Maíra - Não, é que o Mario Rocha, meu marido, faz o videomapping do show. Eu tenho dito que estou pegando o menino que faz o videomapping.

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