Neste sábado, celebrando a chegada da primavera, o maestro João Carlos Martins, que acumula um público de mais de 600 mil pessoas em suas lives durante estes meses de isolamento social, apresenta o concerto/live “Músicas que Marcaram Época”, junto com a Bachiana Filarmônica Sesi-SP. A apresentação começa com “Jesus Alegria dos Homens” de Bach e termina com “Tico-tico no Fubá” e traz ainda dupla regência, com o maestro titular da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, para que o público veja, ouça e sinta duas visões para o mesmo movimento, o primeiro da “Sinfonia nº 40”, de Mozart. A transmissão será a partir das 18h, pelo Youtube e Facebook do Maestro João Carlos Martins e Prevent Senior.
“A Sinfonia nº 40”, obra de 1788, uma das mais executadas e gravadas de Mozart, chamada de “a sinfonia da paixão, violência e dor” pelo pianista e crítico Charles Rosen e considerada sua obra mais pessoal, escrita em um momento crítico de sua vida, dá sequência à apresentação, com a execução de seu primeiro movimento de maneira inédita no Brasil: o maestro João Carlos Martins divide o podium com Roberto Minczuk, maestro titular da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo. Martins inicia a regência e, durante a pausa, sem que a orquestra pare de tocar, Minczuk assume a batuta. “O intérprete tem que mesclar sua individualidade com a personalidade do compositor, senão bastaria um computador. Mas com uma obrigação, que é quase uma religião, do respeito ao texto, porém com duas visões”, explica João Carlos Martins.
O concerto segue com trilhas de cinema – assunto que foi tema da série “João Carlos Martins e o Cinema in Concert”, realizada em 2019 –, com “Tara's Theme”, trilha de “E O Vento Levou”, composta por Max Steiner em 1936.
A soprano Anna Beatriz Gomes empresta sua voz para dois grandes sucessos: “My Heart Will Go On”. De “Titanic”, de James Horner e letra de Will Jennings, que na versão de 1997, com a gravação de Celine Dion, chegou ao topo das paradas musicais mundiais e rendeu o Oscar de Melhor Canção Original, assim como três Grammy de Gravação do Ano, Canção do Ano e Melhor Canção para Mídia Visual. A seguir vem “Don’t Cry For Me Argentina”, do musical “Evita”, composta por Andrew Lloyd Webber e Tim Rice, que teve inúmeras regravações de artistas como Os Carpenters, em 1977, passando por Joan Baez (1980) e pela versão em português da cantora Claudia (1983), entre muitas outras, além da mais famosa delas, de Madonna, que interpretou a protagonista na versão cinematográfica do musical, em 1997.
Continuando o espetáculo, o tenor Jean William interpreta “Por una Cabeza”, tango de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera de 1935, tema do filme “Perfume de Mulher”, e “The Impossible Dream” (The Quest), canção composta por Mitch Leigh, com letra de Joe Darion, a canção mais popular do musical da Broadway de 1965, “Man of La Mancha” e também no filme de 1972, estrelado por Peter O'Toole, que ganhou inúmeras regravações de nomes como Frank Sinatra (1966), Elvis Presley (1972), além da versão em português de Ronaldo Reys, gravada também por Maria Bethânia (1998).
Uma das mais conhecidas composições de Astor Piazzolla, o “tango nuevo”, estilo criado pelo próprio Piazzolla, “Libertango”, que foi gravado em 1974 em Milão, e ganhou versões de diferentes artistas, também faz parte do repertório, com Martins ao piano e regência de Roberto Minczuk, que permanece no palco para conduzir duas das danças de personagens de “O Quebra-Nozes”, um dos três ballets compostos por Piotr Ilitch Tchaikovski que estreou em 18 de dezembro de 1892 no Teatro Mariinski, em São Petersburgo, a capital da Rússia imperial: “Trepak”, baseada na tradicional dança folclórica russa e ucraniana, e a “Fada Açucarada” (em francês, “Danse de la Feé Dragée”).
Para o encerramento, o choro “Tico-tico no Fubá”, de Zequinha de Abreu, que completou seu centenário em 2017, mundialmente conhecido através da versão de Carmen Miranda no filme Copacabana (1947), com participação de Groucho Marx, além das gravações de Ademilde Fonseca e Ney Matogrosso e quatro instrumentais: a original, da Orquestra Colbez (14 anos depois da criação de Zequinha), das duplas Pixinguinha & Benedito Lacerda e Garoto & Carolina Cardoso de Menezes, além da versão do virtuoso acordeonista Sivuca.