Arte & Agenda

Manu Chao arma seu “Gran Circo Clandestino” em Porto Alegre

Músico franco-espanhol de 64 anos tocou durante 2h15min para 3,5 mil pessoas no Auditório Araújo Vianna, na noite de sexta-feira

Show do Manu Chao lota o Auditório Araújo Vianna
Show do Manu Chao lota o Auditório Araújo Vianna Foto : Camila Cunha

A noite de sexta, 23, deve se inscrever na história dos grandes shows em Porto Alegre, pois este músico fraco-espanhol, Manu Chao, de 64 anos, conseguiu entregar música de qualidade, energia, engajamento, mensagens políticas, sociais e de liberdade, contagiando a todos os fãs, muitos deles que não o viam ao vivo desde 26 de janeiro de 2005, quando ele se apresentou na abertura do Fórum Social Mundial, no Anfiteatro Pôr do Sol (ele tocou em Porto Alegre no mesmo Araújo em 10 de julho de 2013, mais recentemente). O show de Manu ao violão, acompanhado do violonista argentino Matu Mati e do percussionista espahol Miguel Rumbao, no Auditório Araújo Vianna, para 3,5 mil pessoas, foi uma mistura de ritmos, gêneros, estilos com pegada de Gran Circo, pois não acabava, naquela vibe de “é finito e infinito”, com o looping “Lo, lo, lo, lo, lo, lo, lo”, da canção incidental circense “Pinocchio” (do italiano Fiorenzo Carpi.), na saída e antes de cada volta ao palco,

A opção de Manu Chao, acompanhado do violonista e do percussionista foi começar o show com duas músicas do disco “Viva Tu”, de 2024, “Tantas Tierras” e “Vecinos a El Mar”. Para forçar um pouco a máquina da empolgação das pessoas, ele entoou “Forzando a Maquina” e depois “Todo Llegará”. A partir da quinta música, o Mano Negra começou a embaralhar as estrofes das músicas que compunham o setlist, começando com uma música, seguindo com outra e voltando à mesma música, O show começou às 21h31. Ele entra no palco e levanta as mãos em riste, pedindo energia e dizendo “Obrigado, Porto Alegre”, em português, e “Arriba, Porto Alegre, a cada canção. Entre as estrofes de “Me llaman calle” e “La Vida Tómbola”, ele pede que se aplauda a Diego Armando Maradona, cantando “Se yo fuera Maradona/ viviria como el” e pede aplausos para Garrincha, o craque brasileiro, seguindo com as estrofes de “Se Te Das a Elegir”, “Circo Caliente” e “Por El Suelo. Ao final deste conjunto de canções, Manu pede aplausos aos músicos de rua e artesãos em nome da liberdade. Logo depois puxa coro para dizer que os Estados Unidos não são da América Latina e que fiquem fora dela. E canta que quer paz no mundo, quer paz na Palestina, “quiero una Palestina libre”. A mensagem política, de liberdade dos povos, sem a opressão das grandes potências e sem a discriminação a imigrantes, fica clara.

Na volta para o primeiro bis, chega a clássica “Clandestino”, de 1998, quando ele canta “Peruano, Africano, Palestino, Argentino, Uruguaio, Venezuelano, Clandestino, Mano Negra, ilegal”, dizendo que neste mundo ninguém é ilegal por ser imigrante. Seguem canções de luta e de integração entre os povos como “Bienvenida a Tijuana” e “Por La Carretera”, parando para outra saída, brincando que ia terminar o show com 1h30min de música, mas era só para dar o ar circense com “Pinocchio” e correr pelo palco junto com Miguel e Matu e pegar camisetas e girar no ar como se fosse uma torcida para o show continuar. Na volta para o set final, Manu foi de “Romerito Verde” e terminou o show com “Desaparecido” e “Me Gustas Tu”: “Me gusta viajar, me gustas tú/ Me gusta la mañana, me gustas tú/ Me gusta el viento, me gustas tú/ Me gusta soñar, me gustas tú”. Quando ele pergunta: “qué horas son mi corazón?”, os relógios marcam 23h40min e eles ainda ficam mais seis, sete minutos no palco com “Pinocchio” e também com “Carcelero” em som mecânico ao fundo, pulando, jogando objetos e agradecendo ao público que terminou a noite extasiado. Nas redes sociais, uns fãs mais puristas disseram não ter gostado do formato mais circense do show de Manu, mas ele mostra que se reinventa a cada show e que volte sempre a este Porto Alegre.

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