Marcello nasceu em Fontana Liri, pequena cidade da Ciociaria. Veio de uma família abastada. O tio, Umberto, era famoso escultor. Aos 21 anos, já estava em Roma, no mundo do cinema, trabalhando como figurante. Nos anos 1950, chegou a fazer papéis de destaque, em filmes como "Pais e Filhos" e "Os Ilustres Desconhecidos", de Mario Monicelli, ou "Noites Brancas", seu primeiro encontro com Luchino Visconti, mas, apesar dos muitos filmes, era principalmente um ator de teatro. A situação mudou quando Fellini fez dele o jornalista Marcello Rubini de "A Doce Vida", filme-farol que ganhou a Palma de Ouro.
o Brasil, filmou com Bruno Barreto e Sonia Braga, e foi o Nacib de "Gabriela", baseado em Jorge Amado. E ainda vale lembrar os outros filmes com De Sica, como "Ontem, Hoje e Amanhã" e "Os Girassóis da Rússia". Embora, como já se disse, não ligasse a mínima para a imagem de galã, Marcello Mastroianni contracenou com as mais belas mulheres - Sophia, claro, Brigitte, e também Ursula Andress, Anita Ekberg, todas mitos sexuais. A ligação mais famosa foi com Catherine Deneuve, com quem teve a filha Chiara. Mastroianni foi bom de comédia, de drama. Tinha carisma. E sabia expressar a impalpável angústia do homem contemporâneo.
Há quem discuta se ele foi um bom Mersault, ao expressar o mal-estar existencial do personagem de Albert Camus para Visconti (em O Estrangeiro). Mas a cena final, de Jeanne Moreau e dele, em "A Noite", a leitura daquela carta, é um grande, inesquecível momento de cinema. Feito de silêncios, subentendidos, que só a arte de grandes atores expressa.