Neste novo CD, Camelo mostra parcerias variadas, como a com o cartunista André Dahmer na música "Três Dias", além da participação de Marcelo Jeneci (que ano passado lançou o elogiado "Feito prá Acabar") no piano e no acordeão. Já com o sexteto paulista Hurtmold, com 10 anos de carreira, Camelo tem uma relação de mais tempo, ainda de quando o grupo abria os shows do Los Hermanos.
Na primeira performance da turnê do novo álbum, em 28 de abril no Sesc Pompéia, em São Paulo, Camelo trouxe ao público canções de "Sou" e "Toque Dela", e poucas de Los Hermanos: "A Outra" e "Morena"; e as improvisadas (no bis) "Samba a Dois" e "Pois É". O show começou com "A Noite", "ÔÔ" e "Tudo o Que Você Quiser".
Com 33 anos de idade e morando em São Paulo desde o início de 2009, Camelo lembra do CD "Sou", feito quando ainda morava no Rio, como uma obra mais "úmida". "Como o nosso corpo é formado na maior parte por água, a umidade mistura você ao ambiente, enquanto a secura te coloca mais íntegro em relação ao lugar", analisa. "Em 'Sou', estava numa situação de remanso da vida, até porque havia parado com o Los Hermanos depois de anos. É um disco mais reflexivo, que vai mais fundo. 'Toque Dela' é menos assertivo nos mergulhos estéticos. É mais caminhado, mas arejado, mais de passagem. É mais fácil de gostar, mais próximo de uma linguagem tradicional", reflete.
O tradicionalismo, no entanto, não vinga com os arranjos e caminhos surpreendentes. No palco, além do Hurtmold, estarão os músicos Jeneci, no piano e no acordeon; Kassin, na guitarra e no banjo; Thomas Rohrer, na rabeca, e Mallu Magalhães, namorada de Camelo, num discreto coro. Sobre a banda, Camelo parece a ter adotado como base "Posso pedir a eles coisas como ''mais pôr do sol'' sem parecer um hippie idiota", diz o músico.
Na formação do Hurtmold aparecem Maurício Takara (bateria, vibrafone, trompete); Guilherme Granado (teclado, vibrafone, escaleta); Marcos Gerez (baixo); Mário Cappi (guitarra); e Fernando Cappi (guitarra), além de Martins (percussão e clarinete).