Arte & Agenda

Marcio Abreu traz um sonho coletivo à cena do Palco Giratório

Com Renata Sorrah no elenco, “Ao vivo [dentro da cabeça de alguém]” terá duas sessões em Porto Alegre, na 19ª edição do festival

Barbara Arakaki, Rodrigo Bolzan, Bianca Manicongo, Renata Sorrah e Rafael Bacelar em cena na capital gaúcha
Barbara Arakaki, Rodrigo Bolzan, Bianca Manicongo, Renata Sorrah e Rafael Bacelar em cena na capital gaúcha Foto : Nana Moraes / Divulgação / CP

O espetáculo “Ao vivo [dentro da cabeça de alguém]” chega à Porto Alegre hoje e amanhã, dias 4 e 5 de junho, no Teatro Simões Lopes Neto (Riachuelo, 1089), na semana final da 19ª edição do Palco Giratório Sesc/RS, que teve início em 20 de maio. No elenco, um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira: Renata Sorrah, acompanhada de Rodrigo Bolzan, Rafael Bacelar, Barbara Arakaki e Bianca Manicongo.

“Ao Vivo [dentro da cabeça de alguém]” traz para o palco uma epifania vivida pela atriz Renata Sorrah em que ela relata ter entendido tudo da vida, o presente, o passado e o futuro. “Desde que nos conhecemos, a Renata me conta essa história. Ela estava indo ensaiar a peça ‘A Gaivota’ de Anton Tchekhov, no Rio de Janeiro, com o diretor franco-argentino chamado Jorge Lavelli, e sentiu a ‘cabeça se abrir’. Ela teve uma espécie de consciência radical e logo a cabeça fechou. Quis escrever essa peça, como se ela se passasse nesse átimo de tempo em que a cabeça de uma artista abre e depois fecha. Você tem essa espécie de epifania que não sabe quanto durou, mas é uma experiência da memória, do imaginário e do sonho. A peça tem essa lógica do sonho”, destaca Marcio Abreu, que assina o texto e direção da peça.

A ideia era não fazer da história um monólogo, apesar de ter sido construída em cima da história da atriz. E também não é uma homenagem à Renata Sorrah, mas sim, um agradecimento pelo trabalho desenvolvido em conjunto ter partido de uma vivência somente dela.

Há algum tempo pesquisando sobre memória viva e coletiva, o diretor optou por montar um elenco em que cada artista conseguisse contribuir com suas vivências e visões de mundo. A individualidade é deixada de lado na montagem. É como se o público pudesse perceber outras consciências, outras subjetividades, dentro da memória e o imaginário de uma atriz, onde se encontram pautas sociais, políticas e de gênero. “O teatro que eu faço tem uma dimensão política porque a arte não está para falar assuntos políticos, mas em como você articula a linguagem que pode ser compartilhada com o público, já que teatro é o público”, diz Abreu.

O papel de pesquisador do diretor e fundador da Companhia Brasileira de Teatro, desde 2000, vai além da peça que chega à capital gaúcha. Marcio está desenvolvendo outro trabalho, com previsão de lançamento no final do mês de junho, em São Paulo, ao lado do neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro. “Sonho Elétrico”, busca tratar o sonho como um vetor para mudar realidades, e não como algo onírico.

Influência

Apreciador do trabalho do médico e dramaturgo Anton Tchekhov, Marcio Abreu relata que recebe influência das obras criadas pelo russo desde a infância, através de um livro infantil escrito pelo diretor alemão Peter Stein. Ao longo da trajetória dentro do teatro foi lapidando os ensinamentos. Ainda hoje considera Tchekhov uma das principais referências para reaprender a olhar para o mundo com generosidade e menos individualismo. Coincidência ou não, a peça em que Renata Sorrah ensaiava quando teve a epifania era de Tchekhov.

*Supervisão de Luiz G. Lopes

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