A exposição "Portinari na Coleção Castro Maya" foi inaugurada neste sábado, às 11h, nas pinacotecas do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Praça da Alfândega, s/n) . São cerca de 50 obras de Cândido Portinari, entre pinturas, desenhos e gravuras. Trabalhos e projetos especiais encomendados por Castro Maya, como ilustrações de livros, além de material bibliográfico, fotografias e documentos que registraram as afinidades que uniram os dois também compõem a exposição. A curadoria é de Anna Paola Baptista.
Um Portinari de traços mais leves, e não dos contornos pontiagudos que caracterizam sua face mais expressionista, é o que se pode esperar desta exposição. As obras em exibição são de uma coleção de pinturas, desenhos e gravuras realizadas entre 1938 e 1958, que raramente deixa o Museu da Chácara do Céu, uma das unidades do Museu Castro Maya, no Rio de Janeiro, detentor do maior acervo público do artista. O padrão principal da coleção é um Portinari mais lírico. Porém, temas mais conhecidos do grande público, como os trabalhadores, os jogos infantis e o povo, retratados pelo artista, também estão representados no conjunto da mostra, que poderá ser visitada até o dia 29 de agosto.
Apresentada em abril na Pinacoteca do Estado de São Paulo, a mostra enfoca a obra de Portinari pelo viés da amizade tecida entre ele e o mecenas Raymundo Ottoni de Castro Maya, estruturando-se em módulos - Colecionador, Mecenas, Amigo - que explicitam diferentes facetas da atuação de Castro Maya como colecionador e amigo de Portinari. A relação entre os dois começa no início da década de 1940, quando o idealizador da "Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil" convidou o pintor para ilustrar o primeiro título de suas obras raras de tiragem limitada. Assim, Portinari realizou, em 1942, sete águas-fortes originais e 81 desenhos reproduzidos em clichê para os livros "Memórias Póstumas de Brás Cubas" e "O Alienista", de Machado de Assis, e "Menino de Engenho", de José Lins do Rego.
Entre as obras selecionadas para esta exposição destacam-se "O Sonho", "Lavadeiras", "A Barca", "O Sapateiro de Brodósqui" e uma série de desenhos sobre "Dom Quixote". Também integra a mostra o quadro "O Menino do Papagaio", um óleo sobre tela de 1954, que pertence ao acervo do Margs.
Cândido Portinari nasceu em 1903, numa fazenda de café em Brodowski, interior de São Paulo. Desde cedo manifestou talento para a pintura. Começou a desenhar aos 6 anos e aos 9 participou, durante vários meses, dos trabalhos de restauração da igreja de Brodowski, auxiliando pintores italianos. Aos 15 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro e frequentou a Escola Nacional de Belas Artes. Ainda jovem, ganhou um prêmio de pintura e foi se aprimorar em Paris, na França. Voltou ao Brasil e se notabilizou por imagens do povo.
O escritor Mário de Andrade considerava que o amigo era a mais útil e exemplar aventura de arte que já se viveu no Brasil. Foi reconhecido nacional e internacionalmente, virou tema de livros e realizou mostras dentro e fora do país. Além de desenhos, pinturas e gravuras, Portinari destacou-se com seus painéis e murais. Entre os exemplos estão o Conjunto Arquitetônico da Pampulha e os painéis que decoram o edifício-sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque. A produção de Portinari, ao longo da vida, é estimada em aproximadamente 5 mil obras. O artista morreu no Rio de Janeiro, em 1962.
Os Museus Castro Maya, Rio de Janeiro - Museu do Açude e Museu da Chácara do Céu - foram criados em 1963, quando Raymundo Ottoni de Castro Maya (1894-1968) transformou sua coleção particular em patrimônio público. Hoje, a instituição integra o Instituto Brasileiro de Museus, do Ministério da Cultura. Filho de colecionadores, Castro Maya aumentou consideravelmente sua coleção, com obras nacionais e estrangeiras, que foram produzidas entre os séculos IV a XX, além de mobiliários e livros raros.
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