Uma solteirona, com quase 50 anos, decide se casar, ainda que precise enfrentar a fúria do pai e de toda a cidade, certos de que ela é santa. Ao sobreviver no parto em que sua mãe morre, Maria do Caritó foi prometida pelo pai - vivido por Fernando Neves, que também faz uma cigana - ao Santo Djalminha. A partir daí, a cidade passa a acreditar que ela faz milagres. Sua fiel escudeira, Fininha, a ajuda a fazer simpatias para conseguir um marido, papel de Sílvia Poggetti. A atriz ainda encarna Dona Teodora, a proprietária do circo, e Dona Cosma, beata que credita à protagonista o fato de sua galinha voltar a botar ovos.
As situações cômicas se sucedem e os atores se dividem em diversos papéis: Dani Barros, além da galinha Damiana, interpreta a "noiva ex-defunta" e Maria Ardida; e Leopoldo Pacheco se divide como Anatolli, Coronel e José. O primeiro é artista de circo, que ilude Maria do Caritó, fingindo estar apaixonado. O segundo é um pilantra, pronto a tirar proveito da imagem de santa da mesma, e o outro, a versão masculina de Maria do Caritó.
Na cultura popular nordestina, Caritó é a pequena prateleira no alto da parede, ou nicho nas casas de taipa onde as mulheres escondem, fora do alcance das crianças, o carretel de linha, o pente, o pedaço de fumo e o cachimbo. E na peça, designa a moça que ficou na prateleira, sem uso, esquecida, guardada intacta. "Maria do Caritó é uma heroína que se equilibra no duplo feminino, sacra e profana, virgem e mundana, santa e palhaça, arquétipo-brincalhão de um feminino desdobrado", explica Moreno. Já para Lília, ela "é uma personagem que sente uma frustração imensa por não ter se realizado como mulher. O que mais me encantou neste texto é que ele fala sobre fé. A Maria do Caritó não deixa de acreditar".