Uma das maiores produtoras de cinema do país, Mariza Leão recebeu o Troféu Eduardo Abelin na noite desta segunda-feira, 18 de agosto, no Palácio dos Festivais, em Gramado. O prêmio entregue durante o 53º Festival de Cinema leva o nome de um dos pioneiros do cinema gaúcho e já foi entregue para nomes como Carlos Reichenbach, Caca Diegues e Arnaldo Jabor. Mariza recebeu a distinção das mãos do ator Eduardo Moscovis e agradeceu ao Festival pela homenagem e aos curadores Marcos Santuario, Camila Morgado e Caio Blat. “Receber o troféu que leva o nome do Eduardo Abelin é uma honra imensa. Abelin lançou os pilares do cinema gaúcho e é uma referência para todos nós. A emoção de receber este troféu neste palco só se compara à emoção de quando estive neste mesmo palco em Gramado pela primeira vez para apresentar “O Sonho não Acabou”, do Sérgio Rezende. Eu fiquei tão nervosa que acabei saindo da sala e fui para a calçada, alguns boys achavam que eu estava querendo um date. Naquele momento, a Morena Filmes dava seus primeiros passos para se inserir na comunidade cinematográfica brasileira”, destacou Mariza.
Ela seguiu dizendo que nestes 50 anos dividiu a energia entre a produção de filmes e a atuação política no setor do audiovisual. “Do sinistro fechamento da Embrafilme, implementação da Lei do Curta e da Lei Rouanet, da criação da Riofilme à Lei do Audiovisual, da criação da Ancine à Lei da TV a cabo, da cota de tela ao combate à pirataria, procurei acompanhar com paixão estes momentos por entender que não haveria um cinema brasileiro potente e capaz de competir no mercado, se não houvesse sustentáculos de uma política pública que enfrentasse a hegemonia do império de Hollywood. E agora estamos na batalha da regulação VoD (streaming), essencial para devolver nossa soberania e independência e vamos vencer”, afirmou para aplausos da plateia.
Mariza lembrou as mais de 50 obras que a sua produtora levou ao público. “As obras são conhecidas, o que talvez seja menos conhecido é o quanto para mim o processo de realização e produção é sempre o desafio entre o rigor técnico e a celebração do encontro com todos que estão ali. Produzir com respeito e afeto é o que me move. Me conectar com 100, 50 ou 20 técnicos ou atores é um presente que comemoro todos os dias. Um set de filmagem será sempre um templo de comunhão, onde expressamos o nosso amor pelo cinema brasileiro”, disse agradecendo a todas as equipes com as quais trabalhou e dedicando o prêmio aos filhos Maria, Thiago e Julia, aos netos João e Luzia e a quatro pessoas do mundo do audiovisual, Lucy Barreto, José Wilker, Paulo Sérgio Almeida, o parceiro na vida e na produtora, Sergio Rezende.
Mariza iniciou sua carreira no cinema ao lado de Sérgio Rezende quando o casal fundou, há exatos 50 anos, a Morena Filmes. Mariza foi a primeira diretora geral da Riofilme e presidente do Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual (Sicav). Ao longo de sua carreira, dirigiu curtas e produziu sucessos de público que somam mais de 20 milhões de espectadores, como a trilogia “De Pernas Pro Ar” (2010, 2012 e 2019), que teve os dois primeiros filmes dirigidos por Roberto Santucci e o terceiro por Julia Rezende, e as comédias “Meu Passado Me Condena 1 e 2” (2013 e 2015), de Julia Rezende. Outro marco foi o fenômeno “Meu Nome Não É Johnny” (2008), de Mauro Lima, vencedor do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Além dos blockbusters, sua filmografia inclui obras de grande prestígio artístico e histórico, como “Lamarca” (1994), “Guerra de Canudos”(1997) e “O Homem da Capa Preta” (1986), todas dirigidas por Sergio Rezende; o clássico “Nunca Fomos Tão Felizes” (1984), de Murilo Salles; e títulos da nova geração do cinema nacional, como “Ponte Aérea”, de Julia Rezende, e “Apenas o Fim”, de Matheus Souza.
Nos últimos anos, ela expandiu sua atuação para as séries de televisão e streamings, produzindo títulos como “Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente“ de Marcelo Gomes e Carol Minem, “Todo dia a Mesma Noite”, de Julia Rezende e sucesso de audiência da Netflix; “Questão de Família”, de Sergio Rezende; “Meu Passado Me Condena – A Série”, de Julia Rezende; e “Acerto de Contas”, de José Joffily. Em fase mais recente, produziu “A Porta ao Lado”, de Julia Rezende; “Eike – Tudo ou Nada”, de Andradina Azevedo e Dida Andrade; “Meninas Não Choram”, com direção de Viviane Jundi; e “Mãe Fora da Caixa” de Manuh Fontes.
Atualmente, está à frente do longa “Perrengue Fashion”, uma comédia ambientada na Amazônia produzida em parceria com a Amazon Studios. Com uma carreira que une excelência artística, sucesso comercial e compromisso com o desenvolvimento do audiovisual nacional, Mariza Leão permanece como referência incontornável da produção cinematográfica brasileira.