Depois de uma sequência de trabalhos com "a galera de Vila Isabel", calcados na percussão - era um quarteto dedicado ao batuque -, e com as cordas do samba, a cantora achou que precisava deixar a tal zona de conforto. "Era tudo lindo e gostosão, mas às vezes, desgastante. Eu já entrava com o jogo ganho”, relata Mart'nália.
Pensou logo em Djavan, a quem já havia gravado e de quem admira "o jazz" e o "djú-bidjú-bidjú". "O Dija tem essa melodia que vai para aquele lado que a gente não pensou. Para mim, é um sambista. Se eu posso brincar de outra coisa, posso errar pra caramba, mas vou brincar”, admite.
E quem resiste a Mart'nália? A voz mansa, a boa-pracice herdada do pai Martinho, a risada a toda hora, a despretensão, a molecagem. Djavan até tentou, mas não resistiu - foi preciso persegui-lo depois de shows para convencê-lo. "Me dirige aí!”, pedia. "Eu estou me divertindo bastante, é supergratificante. É bem diferente da minha rotina. Martina é ótima e talentosa. A gente conversou muito, as ideias coincidiram. Tudo foi colocado de maneira amorosa e simples", contou Djavan nos depoimentos dos bastidores.
O novo álbum de Mart'nália é um "disco de amor", sem as letras provocativas e malandras de CDs anteriores, que falavam de flertes e noitadas ("Chega", "Cabide", "Tava Por Aí", "Ela É Minha Cara"...). Mart'nália pediu e recebeu músicas de um grupo de notáveis: Marisa Monte, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Nando Reis, Lula Queiroga, Ivan Lins (que virou parceiro). De Adriana Calcanhotto, finalmente gravou "Vai Saber", o samba feito para ela há seis anos, mas registrado primeiro por Marisa porque o CD com a música entregue pela gaúcha se perdeu. "Fiquei morrendo de vergonha, esperando o disco da Marisa sair para aprender a música", lembra, marota.
É das poucas levadas de samba (com piano, violão, bandolim e um resquício de percussão) entre as 14 faixas. Outra é a solar "Itinerário", de Max Viana, filho e "representante" de Djavan entre os compositores. "Zero Muito", de Nando Reis, que trata do velho amor não correspondido, pode ser um momento surpresa do show, a ser dirigido por Guilherme Leme e Marcia Alvarez, produtora executiva do CD, com luz de Ney Matogrosso (com apresentações no dia 12/5 no Vivo Rio e 17/5 no HSBC Brasil): a percussionista Mart'nália, que toca violão só na hora de compor, ensaia para tocar guitarra em cena. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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