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“Marty Supreme” e “Justiça Artificial” chegam aos cinemas

Crítico de cinema Marcos Santuario comenta, em poucos minutos, as produções que podem ser conferidas, a partir desta quinta-feira, dia 22 de janeiro

Crítico de cinema Marcos Santuario comenta as produções
Crítico de cinema Marcos Santuario comenta as produções Foto : Youtube / Reprodução / CP

Apartir de hoje, os cinemas deixam de ser apenas salas escuras para se transformar em arenas de confronto: entre o humano e a máquina, a fé e o colapso, a glória e o esquecimento, o desejo e o horror. As estreias não pedem atenção, exigem posicionamento. São filmes que provocam, inquietam e, sobretudo, apostam em atuações que sustentam temas urgentes do nosso tempo, refletindo ansiedades coletivas que atravessam gerações.

Em “Marty Supreme”, Josh Safdie reafirma sua obsessão por personagens à margem do sistema, figuras movidas por ambição, ressentimento e uma necessidade quase patológica de serem vistas. Timothée Chalamet entrega uma de suas atuações mais afiadas ao viver um anti-herói em ascensão num esporte desacreditado, enquanto o mundo insiste em não levá-lo a sério. O prêmio no Critics’ Choice não é acaso. Chalamet constrói Marty com uma combinação precisa de arrogância, fragilidade e fome de reconhecimento, revelando um personagem que avança não por talento puro, mas por insistência obsessiva. O filme não fala apenas de tênis de mesa, mas da ilusão do sucesso e do preço de existir fora do centro. É um tema que interessa à geração que busca visibilidade a qualquer custo. Safdie filma a ascensão como um processo claustrofóbico, em que cada vitória carrega o germe da queda, e onde a glória nunca é plenamente satisfatória.

A ficção científica ganha contornos assustadoramente plausíveis em “Justiça Artificial”, thriller que se ancora menos em efeitos visuais e mais em dilemas morais. Chris Pratt surpreende ao abandonar o herói seguro para viver um homem encurralado por um sistema que ele mesmo ajudou a criar. Seu personagem é o retrato do tecnocrata convencido de que eficiência substitui empatia – até perceber que não há espaço ao arrependimento quando a lógica da máquina passa a reger vidas humanas. Rebecca Ferguson, como a personificação da Inteligência Artificial, domina a tela com presença fria e magnética, jamais caricata. O filme questiona até onde estamos dispostos a delegar decisões éticas às máquinas e o que acontece quando a justiça deixa de ser humana para se tornar estatística. Evita respostas fáceis e provoca desconforto.

Outra novidade é “A Única Saída”, da Coreia do Sul, com direção de Park Chan-wook, em uma comédia dramática de humor ácido. Na tela, homem perde emprego, depois de 25 anos de experiência. Sem emprego e desesperado, resolve eliminar todos os que se candidatam a uma vaga na sua antiga empresa. Adaptação do livro “O Corte”, de Donald E. Westlake, já filmado pelo talentoso cineasta Costa-Gavras.

O terror retorna, em pré-estreia prolongada, como espelho psicológico em “Terror em Silent Hill: Regresso Para o Inferno”. Mais do que monstros icônicos, o filme aposta na culpa, na memória e na deterioração da sanidade. Christophe Gans revisita o universo da franquia com respeito ao terror atmosférico, onde o verdadeiro horror não está nas criaturas, mas no que elas revelam sobre quem as enfrenta. É uma experiência sensorial e emocional que reafirma o gênero como ferramenta de introspecção, e não apenas de sustos fáceis.

Confira a análise em vídeo:

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