Arte & Agenda

“Meada”, solo de Luíza Fischer com direção de Patrícia Nardelli estreia nesta quarta-feira

Apresentação da montagem do Coletivo Moebius acontece na Sala Álvaro Moreyra

"Meada" estreia nesta quarta-feira na Sala Álvaro Moreyra
"Meada" estreia nesta quarta-feira na Sala Álvaro Moreyra Foto : Diogo Vaz / Divulgação / CP

“Meada” é a primeira obra solo da bailarina Luíza Fischer, que pesquisa e trabalha com dança contemporânea em Porto Alegre desde 2008. Integrante do Coletivo Moebius, Luíza carrega para este espetáculo a experiência desenvolvida coletivamente desde 2023 e busca fisicalidades significativas a fim de desenvolver linguagens peculiares e poéticas para seu trabalho. A montagem tem apresentação na Sala Álvaro Moreyra (Av. Erico Verissimo, 307) nesta quarta-feira, dia 26, às 19h. Os ingressos estão disponíveis na plataforma Entreatos.

Entre as curiosidades da performer e intervenções da diretora Patrícia Nardelli, surgiu o solo, um deslocamento que acontece com a cabeça no chão. “Meada é uma jornada de transformação, nos lembra que o corpo pode ser muitas coisas, existir em muitas condições. A adaptação é inevitável e acontece à revelia da vontade”, afirma Patrícia Nardelli.

A ênfase na pesquisa física permeia todo o processo, fazendo com que sempre seja o corpo em movimento que evoque imagens, sensações, memórias e sentidos. Dialogando a partir da experiência deste corpo-sujeito, está a narrativa que parece enriquecer a experiência do fazer e do observar.

Em cena, a instauração de um estado de presença em performance permite que o corpo se transfigure através do movimento, modificando o espaço ao redor e a percepção do público, que, afetado, abre-se para a experiência da obra. Assim, testemunhar esta jornada é participar dela, experienciando no próprio corpo a mudança de estado que ela produz. O que era, então, inicialmente um estudo sobre o peso e o apoio da cabeça, torna-se uma metáfora do desnovelar de uma vida impossível que pesa sobre os ombros, leva ao chão e, em processo, torna-se outra.

“Meada é tensão do início ao fim, um suspiro interrompido que não alivia, um imperar do peso sobre o corpo, uma metáfora sobre circunstâncias da vida que nos acontecem, e que não temos outra alternativa a não ser ceder. Uma obra sobre insistir na desistência, desistir uma vez, e de novo, e de novo, até o próprio desistir se fazer caminho para aceitar um caminho sem volta: uma transformação iminente e necessária se aproxima”, reflete a preparadora corporal Isadora Franco.

A obra conta com trilha original composta por Patrícia Nardelli, que utiliza as sonoridades para compor uma teia que sustenta e tensiona o espaço a ser ocupado pelo corpo em cena e pelos corpos fora dela. A trilha é atmosférica, com elementos gerados a partir de ruído elétrico processado por pedais de efeito construídos conjuntamente com a movimentação da performance. Algumas das referências de imagem colhidas ao longo da pesquisa são as esculturas de Louise Bourgeois, como a Maman (1999). A aranha, aliás, é uma referência de movimento e também para a construção poética e estética da obra, que ganha teias, patas e um corpo que se move quase de maneira não humana.

Ao longo do ano de 2024, em uma ocupação do Instituto Goethe Porto Alegre, a obra toma corpo com o engajamento coletivo. Isadora Franco passa a fazer a preparação corporal e Renata Stein assume a produção. Em dezembro daquele ano houve uma primeira mostra de processo, da qual participaram as bailarinas Tatiana Rosa, Janaína Ferrari e Bianca Brochier, trazendo leituras e colaborações à pesquisa.

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