O ponto de partida é a situação que vem ameaçando os espaços da produção cênica na Usina do Gasômetro, via projeto Usina das Artes - que desde 2005 tem fomentado a criação e pesquisa de grupos e seus convidados -, que lá iniciaram processos resultantes em espetáculos reconhecidos e premiados. Na obra de ficção, a coordenadora, Estela, se vê diante de um dilema: ao mesmo tempo em que a instituição corre o risco de ser privatizada, sente-se incapaz de vingar os sonhos que traz dentro de si. A dramaturgia de Diogo Liberano é dividida em sete dramas, alguns com livre referência às obras de Sartre, Tchekhov e Shakespeare.
Os 24 atores falam de indivíduos que, juntos, formam um coletivo funcionando como uma engrenagem. Engajados na causa, esses artistas em formação se deparam com um desafio sobre o próprio processo que vivem e de conhecimento do mercado que estão ingressando. E sentem na pele a atmosfera asfixiante que inviabiliza a produção artística na capital gaúcha. “Somos indivíduos com peculiaridades que nos tornam únicos. Ao mesmo tempo integramos uma massa esmagadora da qual nos tornamos insignificantes. Nossos artistas passam a vida tentando amenizar essa anulação”, declara o diretor.