O disco certo na hora certa. É assim que muitas pessoas consideram o clássico dos Titãs “Cabeça Dinossauro”. Lançado em 1986, o álbum completa 40 anos mais atual que nunca. É nesse contexto que três titânicos chegam a Porto Alegre para celebrar mais uma década de um material “intocável”. Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto sobem ao palco do Auditório Araújo Vianna (Osvaldo Aranha, 685), a partir das 21h. Os ingressos estão à venda no site da Eventim.
Com temas que criticam posições de grandes instituições de poder, o contexto de lançamento favoreceu a construção da narrativa. À época, o pós-Ditadura Militar no Brasil (1964-1985) fez crescer nos compositores a vontade de comunicar ao público a face mais “furiosa” do grupo. Numa esteira de lançamentos que bebiam de fontes como o reggae e o folk, os oito músicos se encontraram nos riffs mais pesados e, de certa forma, desconcertantes do punk.
“Na época, misturamos influências mundiais como new wave, punk rock, reggae e funk, bebendo de fontes como The Clash e Talking Heads”, conta o guitarrista Tony Bellotto.
O sucesso foi quase que momentâneo. Segundo Sérgio Britto, em cerca de um ano já conseguiam colher os frutos das canções.
“Nosso primeiro single foi ‘Aa Uu’, que mesmo hoje não soa convencional. Houve resistência inicial e até o Renato Russo questionou por que não escolhemos algo mais ‘palatável’ como ‘Família’ ou ‘Homem Primata’. Mas nossa estratégia era mostrar que o disco era algo diferente. Ou aceitavam o pacote inteiro, ou nada. Isso deu uma base sólida para o resto da nossa carreira”, explica Britto.
“A gente desconfiava que era um disco que não se enquadrava nos padrões da época. Mas no show de lançamento, em São Paulo, o lugar lotou. As pessoas conheciam as músicas. Foi uma emoção muito boa”, lembra Tony.
Esse é um dos motivos pelo qual eles consideram “Cabeça Dinossauro” uma montagem intocável ao ponto de não conseguirem imaginar como seria a construção se lançado em 2026.
“Quando algo vira clássico, até os defeitos viram virtudes. O disco trata de temas que continuam relevantes sem fazer muitos julgamentos de valor, apenas levantando questões. Temas como abuso de poder, estado totalitário e ganância desmedida sempre estarão no nosso horizonte, o que mantém o disco relevante”, diz Britto.
TRÊS IGUAL OITO
Desde março, Tony, Britto e Branco Mello têm percorrido cidades brasileiras com a turnê que celebra o trabalho. Acompanhados por Beto Lee (voz e guitarra), Mário Fabre (bateria) e Alexandre de Orio (guitarra), eles recriam ao vivo e na ordem original as canções que marcaram diversas pessoas. A realização é da produtora 30e.
“Me sinto mais ou menos da mesma maneira que me sentia quando éramos oito. Todos nós fazemos coisas fora dos Titãs, mas acho que a gente tem essa mesma sensação de que vale a pena investir na ideia de ser uma banda”, diz Tony.
“Com certeza, a gente, hoje em dia, soa muito melhor do que num show nos anos 80”, finaliza Sérgio Britto.
*Sob supervisão de Luiz G. Lopes